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sábado, 28 de maio de 2011

Entre Nuvens!


Debaixo da água quente do chuveiro – ela prefere a água bem quente, pelo puro prazer de acreditar no seu poder de criar nuvens com o vapor do banho –  fecha os olhos pra entender se aquelas sensações são reais ou meros devaneios. Sente coisas estranhas, desde a Páscoa, e o que sente, nem combina com o que a data sugere a não ser pelo detalhe da vida nova. Disso ela tinha certeza, a possibilidade da vida  era o que disparava seu sorriso como num sinal de  aprovação e como se a vontade do sorriso bastasse pra justificar tudo, ainda que não entendesse nada, ela prosseguia o seu  banho quente.

Vida, sim! Mesmo que em outro nível de realidade.

Por uns instantes, desocupava as mãos, pra contemplar suas linhas, querendo ler a história na parte em que essa ainda não tinha sido criada, lhe interessava saber o porquê do que acontecia. Ela esperava isso, da quiromancia, mais que o futuro a confirmação do passado ou do que passa, exatamente agora. Pra saber se é verdade, isso que sente e se estava escrito na palma da  mão, como se pudesse acreditar que nesta, cabe toda as possibilidades do  destino.

A verdade é que ele  provoca sorrisos, liberta vontades vorazes, dispara seus delírios, desejos vulgares e  ideias  do ela que  faria, se pudesse! Desconfia que entre o seu signo e o dele exista a química  real. Perdeu um pouco da  razão ou talvez dos sentidos e a certeza de que as nuvens estão ali. Começou a acreditar, que é ela quem, levemente,   flutua um pouco.


­­Havia semanas ela se preparava para o encontro, longos banhos e  banhos longos, sempre no mesmo ritual, se enfeitando e perfumando para ele, que mesmo tão longe já estava ali. Saiu de casa livre de todas as expectativas  despertadas, já não importava mais, ela sabia quem ele era e o que representava.
Bateu na porta sorrindo de satisfação com a possibilidade real do encontro, depois de tantas mensagens e sinais trocados. Rapidamente a porta se abriu e nada do que foi dito entre eles se comparou à total adequação que sentiram,  no momento em que ele a tomou pela mão e conduziu docemente para dentro do quarto. Já no abraço ela percebeu dele um toque suave, mas firme pela maneira como ele, decididamente, posicionou a mão nas suas costas  e os seios se colaram no peito dele despertando uma sensação agradável e levemente familiar, logo os olhos se encontram provocando risos e sorrisos, e foi naquele momento que ele a beijou.
No beijo ela superou a duvida, não eram as nuvens que desciam, mas ele quem sabia fazer, ela flutuar entre elas.