As datas determinadas para homenagens têm um lado perverso, o da exploração comercial, do outro lado, representam a lembrança para aquilo que não esquecemos, porém silenciamos com o apoio do alvoroço barulhento das rotinas. Silenciamos entre os ruídos. Noutras datas, enormes listas de fazeres, falta espaço na agenda para aquilo que não precisa ser lembrado, de tão óbvio que parece, mesmo assim, desaparece no espaço tempo e sem querer e sem perceber parecemos esquecidos. Em datas especiais, somos acionados pelo calendário e não permitindo que este seja assim tão automático e que simplesmente tome posse dos nossos ânimos e vontades, tomamos conta dele, eis que surge a reflexão, a origem de tudo. Dia das Mães, da minha e da dos outros. Dia dedicado às dedicadas demais e às dedicadas bem menos do que elas próprias gostariam de ser, isso acham elas e acham os outros, normalmente os que nada tem a ver com o caso. Mãe é origem e com o tempo se torna também desculpa para as nossas insuperações. Seja porque ela fez ou faz demais ou porque ela fez ou faz de menos. Alguém decretou, a culpa sempre é da mãe, quando não houver um mordomo. Esta mulher, original criadora, que de tanto amor e compromisso com o bem feito, pré requisitos determinados para o cargo, se atrapalha volta e meia e meia volta repete seus atrapalhamentos maternos conscientemente. Há mães de todos os jeitos e hoje já são mães de todos os sexos. São mães com pais e são mães sozinhas. São mães "full time" e mães " no time". Foram naves um dia, carregando no seu aconchego interno ou carregaram somente o desejo de ser nave e na impossibilidade de se transformar numa, elas dão um jeito terceirizado. Os jeitos, estilos e atrapalhamentos maternos não cabem num formato único. Mães queriam sempre poder fazer mais e melhor. Algumas dedicam-se a isso mais que aos próprios filhos e contam com enorme prazer e com intenção de humilhar as outras, que não fazem por falta de tempo, por falta de vontade, por falta de saber ou ainda por achar que não cabe ser feito o tal fazer. Conversa de mãe é sempre divertida, competitiva, orgulhosa, comparativa e preocupada. Mães são sempre alvos, a familia toda mira nelas, nos seus detalhes e palpitam fazendo relação com os comportamentos dos filhos. Todos palpitam sobre a maternidade, principlamente quando não são mães. Análises profundas, rasas, incipientes, com todo o tipo de sugestão para o manual materno. São vários! Pouco provável que alguma mãe tenha seguido um dos manuais, porque mães confiam nos instintos. Quando o holofote da sala do parto acende e ele sempre acende mesmo para as mães que nunca estiveram na sala do parto, repete-se aquele anunciamento feito por uma estrela, há muito e muito tempo: Você foi escolhida, para experimentar o mistério da vida. A maternidade é misteriosa e é magnifica. Transformadora e reveladora. O compromisso que temos com ela e toda a magnitude que representa apesar de muito explorado em prosa poética, sempre foi ofuscado em sua essência . O fio das histórias sobre mães são dedicados e mal intencionados com o encantamento que querem gerar. Falam de bule e café na mesa, de casa limpa e cama cheirosa, de noites insônes e de padecer, num paraíso. Inventam a culpa e aumentam a passividade dos filhos, diante delas! De um jeito ou de outro encaixam outro alguém no lugar materno, e esse alguém é masculino. Foi sempre dificil demais a eles não ter esse lugar, bem mais do que foi para elas, o tal complexo da castração. Mães são tolerantes com isso e quando uma das mais destacadas da história, permitiu que sua obra a superasse, concordamos com grande satisfação em repetir seu feito. O desejo materno é ser superada pela sua criação, é que sua obra ganhe mais vida do que ela própria lhe concedeu. Queremos nossos filhos melhores que nós e confiamos nisso, porque confiamos que um desejo materno sempre é atendido, ou que de um jeito ou de outro a mãe faz ser.
Tem uma vez e outra que solto bolhas do pensamento, daí elas flutuam um pouco e viram palavras, que querem desenhar um texto, sem tantas preocupações com o traço certo, mas bem desejosas de um trajeto sinuoso que possa acontecer...FeMaestri.
Páginas
Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens
sábado, 7 de maio de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Os Ruídos do Silêncio
Wellington Menezes surpreendeu o mundo, assustou com requinte, dilacerou vidas que foram e as vidas que ficaram.Assustou quem estava na escola de Realengo e os que nunca estiveram por lá. Silencioso durante toda a vida de estudante cresceu e se tornou um silencioso vizinho, silencioso filho,um silencioso sempre. Wellington causou todo o tipo de sentimento ao fazer barulho, talvez seu primeiro barulho. Rompeu com um código de ética sagrado sobre o lugar seguro e respeitado, o espaço escolar. Lugar de infância e juventude. Entre tantas atrocidades, ele foi original, pessimamente original na sua escolha pela escola.Não tinha essa prática toda como comentam, sobre o uso das armas. Tinha os recursos potentes, mas dos 100 tiros acertou "apenas"10. Não foi um sucesso de mira. Mas, fez bem mais do que precisava, fez bem mais do que mereciamos e muito mais do que podemos ouvir.Agora muitos estão dedicados a entender Wellington. Não dá pra entender o que não dá pra explicar. Wellington é mais um enigma da humanidade. Com toda a dor e lamento, que sinto e sinto muito, está minha atenção para o silêncio que ele a vida toda gritou. Welligton foi "bom"aluno, silencioso e quieto.O aluno do tipo eu não te ligo e tu não me telefona. Assim, estamos quites! Sabe-se nada dos seus desejos, dos seus medos, dos seus ódios, das suas dores. Sabe-se apenas que odiamos ele e que ele também nos odiava e muito. Wellignton não se explica, então não explicamos Wellington, mas lamentamos, é o que resta, por enquanto. O alerta sobre o silêncio é o que se anuncia em bem alta intensidade. Há alguns anos, entre outros casos iguais e desconhecidos, aconteceu em Porto Alegre, a morte suicida de um outro bom porque silencioso aluno.(http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG81603-6014-508-1,00.html) Yonlu era inteligente, dedicado à música, bom colega, bom aluno e cheio de silêncios. Passava desapercebido. Exigiram dele, algumas vezes, uma adesão ao grupo. Ofereceram um formato único para que ele rompesse o silêncio. O formato era a receita do óbvio, aquele que a maioria de nós assume, sem muitas questões. Yonlu não suportou. Rompeu o silêncio com fogo, diante da WEB, acertou sua mira. Especulando aqui estou! Wellington e Yonlu seres silenciosos encontraram a escuta que nunca pediram com som. Um encontrou pelos dedicados participantes instrutores do site suicidio.com outro, imagino que pelos não menos dedicados, instrutores do terrorismo.com. Yonlu seguiu uma receita de como se matar rapidamente e sem dor. A WWW o ensinou. Wellington aprendeu a matar como forma de limpar o mundo, na WWW, também tinha os dados e os fatos, a receita do que queria, para acalmar seu tormento silencioso. Este é o caminho das pedras e mais que tudo a disponibilização sem exigir a reciprocidade. O silêncio é sintoma. Ensimesmados não são pacatos cidadãos. O padrão do quieto, do silencioso, equivocadamente é entendido como aquele que nada tem a dizer, então nada se pergunta. Os silenciosos explodem, um dia, fazem de uma só vez o barulho que não souberam fazer a vida inteira. O alerta é: olhe pra quem está escondido no silêncio profundo, invada esse espaço sem pedir licença, quando o caso não for o da meditação. Faça isso por eles, faça por você e faça pelos outros. O ruido do silêncio constante, quando explode, ninguém nunca estará preparado para ouvir
domingo, 27 de março de 2011
Cintura Fina!
Tem gente que finge que não vê, que não ouve e de tanto fazer de conta, realmente não sente!
Essa gente , apenas algumas delas,ainda ensaiam uma explicação que é sempre frágil e somente quando são chamadas. Sobre isso lançam quase lacônicas explicativas: não adianta nada eu me pronunciar. Ponto. Não se pronunciam! Acreditam que o lugar do morto é o lugar do conforto, então se acomodam ali, contentes no seu espaço pequeno.Esse perfil nunca cria, porque como nada vê e nada ouve, não "nada" e nem bebe em fonte nenhuma.Vivem no espaço árido carente de ideias.Já fiquei tentada pra tentar ser assim, uma lesma lerda. Inclusive fui medicada pra isso, com uma bolinha que promete conter os impulsos. Desconfio que não adiantou e tenho certeza que se por acaso adiantasse, provavelemnte eu chutaria a bolinha. Não gosto do lugar do morto e não me sinto confortável em espaços com minimas e rasas fontes.Definitivamente gosto do muito e quero sempre muito mais. Mergulhada descobri que tem bastante e por isso tem pra escolher.Tem ainda uma análise de que tal falta de expressão pode ser sinais da diplomacia, do jogo de cintura ou do recuo estratégico. Nesse entendimento, fico designada ao absoluto insucesso diplomático, não sei andar de costas, por outro lado me apresentei muito bem com o bambolê, em anos passados, que até já tive tempo de passar a limpo. Atualmente minha cintura anda ocupada com outros jogos, que não se aproximam nem do bambolê e nem do"enroleichan" e que por aqui, só pega bem eu comentar que é bem divertido.Calar-se para escutar é sábio. Observações atentas também são atitudes espertas, mas nem sempre pronunciar-se a partir delas é conveniente, mesmo que se ache necessário. Não é conveniente nem pra quem pronuncia e nem pra quem tá sendo contemplado no pronunciamento. Atitude é tudo teoricamente. Engraçadas tornam-se as ações teóricas. Engraçadas, abundantes e ao mesmo tempo tão solitárias. Ficam numa forma de registro passivo, precisando do encontro com os olhos e os ouvidos da cintura certa, pra então serem transformadas no ritmo que faz remexer. O problema é que por melhor que seja o sincronismo do rebolado ainda tem gente que não vê e que também não ouve e então não sente o ritmo. Somente continuam rebolando aqueles que confiam que a melhor parte da platéia é exatamente a que está acordada e que o lugar do morto pode ser conveniente pra qulaquer coisa, menos pra cintura, que de tanto ficar jogada sem jogar nada, engrossa e então, desaparece!
Essa gente , apenas algumas delas,ainda ensaiam uma explicação que é sempre frágil e somente quando são chamadas. Sobre isso lançam quase lacônicas explicativas: não adianta nada eu me pronunciar. Ponto. Não se pronunciam! Acreditam que o lugar do morto é o lugar do conforto, então se acomodam ali, contentes no seu espaço pequeno.Esse perfil nunca cria, porque como nada vê e nada ouve, não "nada" e nem bebe em fonte nenhuma.Vivem no espaço árido carente de ideias.Já fiquei tentada pra tentar ser assim, uma lesma lerda. Inclusive fui medicada pra isso, com uma bolinha que promete conter os impulsos. Desconfio que não adiantou e tenho certeza que se por acaso adiantasse, provavelemnte eu chutaria a bolinha. Não gosto do lugar do morto e não me sinto confortável em espaços com minimas e rasas fontes.Definitivamente gosto do muito e quero sempre muito mais. Mergulhada descobri que tem bastante e por isso tem pra escolher.Tem ainda uma análise de que tal falta de expressão pode ser sinais da diplomacia, do jogo de cintura ou do recuo estratégico. Nesse entendimento, fico designada ao absoluto insucesso diplomático, não sei andar de costas, por outro lado me apresentei muito bem com o bambolê, em anos passados, que até já tive tempo de passar a limpo. Atualmente minha cintura anda ocupada com outros jogos, que não se aproximam nem do bambolê e nem do"enroleichan" e que por aqui, só pega bem eu comentar que é bem divertido.Calar-se para escutar é sábio. Observações atentas também são atitudes espertas, mas nem sempre pronunciar-se a partir delas é conveniente, mesmo que se ache necessário. Não é conveniente nem pra quem pronuncia e nem pra quem tá sendo contemplado no pronunciamento. Atitude é tudo teoricamente. Engraçadas tornam-se as ações teóricas. Engraçadas, abundantes e ao mesmo tempo tão solitárias. Ficam numa forma de registro passivo, precisando do encontro com os olhos e os ouvidos da cintura certa, pra então serem transformadas no ritmo que faz remexer. O problema é que por melhor que seja o sincronismo do rebolado ainda tem gente que não vê e que também não ouve e então não sente o ritmo. Somente continuam rebolando aqueles que confiam que a melhor parte da platéia é exatamente a que está acordada e que o lugar do morto pode ser conveniente pra qulaquer coisa, menos pra cintura, que de tanto ficar jogada sem jogar nada, engrossa e então, desaparece!
sábado, 30 de outubro de 2010
Joana, paisagem!
Joana é brasileira, solteira, com vinte e mais um pouco de anos. Seu berço, a ponta de cima do Brasil. Teve sua coragem acordada pelo desejo de sair daquele lugar seco, rachado, alaranjado. Tinha medo de secar toda, por ali. Naquele lugar tudo parecia desidratado. Joana sofria do pior mal que se pode sofrer quando se está num grupo. A falta absoluta do sentido de pertença. Ela não se reconhecia naquele lugar, não reconhecia o outro, não reconhecia ninguém. Isso explica sua expressão de ausência constante e sua mania de olhar de lado. Seu olhar parece que nada vê e teme olhar de frente, sua voz poucas vezes está liberta e quando a solta é quase inaudivel. Joana foi embora. Abandou tudo e todos dali. Saiu de repente e meio sem avisar. Pro lugar que foi, também nunca soube explicar sua chegada. Ali estava, simplesmente sem o menor esforço de entender. Volta e meia pessoas a olham com estranhamento. Não entendem Joana tão calada e isolada. Ela desejava um sol mais ameno, de calor mais sereno. Sonhava em pintar o rosto e usar sapatos de salto. Pensava em superar a cor de palha dos cabelos e ficar tranquila sobre o futuro da pele. Joana se apropriou de todas as possibilidades pra resolver seu transtorno. Mas ainda carrega a secura de onde veio, transborda a falta, o tempo todo, assim sendo, é muito pouco o que se encontra nela. Joana queria sair daquele lugar, negar sua raiz pra se diferenciar dos seus desgostos. Porém carregou consigo o peso amargo que avaliava com seu olhar ladeado. Hoje vive distante, do seu espaço de origem e também do lugar que agora habita. Ela própia, não raramente é a paisagem que se recusou a olhar de frente.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Prevenido.
As noites nunca são iguais mesmo para os que pouco reparam e para os que pensam que as estrelas, ainda estão ali. Naquele bar, apesar das pessoas se repetirem tanto em seus pedidos, gostos e gestos; apesar da reprise noturna de seus sonhos e de suas angustias mal disfarçadas e das explosões esporádicas, de qualquer alegria fulgaz, as noites eram notóriamente diferentes. O mesmo palco embaçado pela média luz e pela teimosia invariável do enredo. Ali estavam histórias com intensidades determinadas pelo poder do olhar. Eram tantas mesmas histórias diferentes para cada par de olhos e para o que mais estivesse disponível e com disposição de explorá-las. O bar man conhece cada um dos personagens e é capaz de acertar a personalidade do ser, inspirado nos indicios de preferências do cardápio. Quase os mesmos sabores, sempre. A mesma mesa, se possível. Tudo igual e tudo diferente. Tudo previsivel e inexplicadamente surpreendente. Assim eram as noites, no bar. Foi essa a impressão que ele tinha, até a noite que ela entrou naquele espaço noturno e à média luz, concedeu a clareza intensa. Holofotes sobre ela. Poderia ser mais uma história tão parecida e tão diferente pra cada jeito de olhar, mas especialmente essa tinha ares de singular. Ela chora no balcão a dor sangrada do amor perdido. Ela chora porque queria dizer adeus, mas a palavra se perdeu no entre abrir das portas que liberam o som e ela, não soube pra onde foi. Ainda se sente sufocada e engasgada pela palavra que nem está mais ali. Quer se livrar de tudo, inclusive das chaves da porta que se abrir, sabe o que encontrará por de trás.Quer se livrar do de trás, mas este parece mais dificil do que livrar-se das chaves. Há um lugar especial para elas, naquele bar. Para as pessoas que choram e para as chaves. Um depósito. O bar man passou a guardá-las. Sabe sobre cada uma. Sabe que não serão recolhidas, sabe que ninguém chegará para buscá-las. Porém, acreditou que não poderia livrar-se delas, sob a penalidade de impedir assim, que uma daquelas portas nunca mais se abrissem. Ele guardou a esperança de cada chave, ali no depositário, sem que os doadores soubessem. Contou a ela todas as histórias, cada uma de cada chave abandonada. Contou a dele. Escutou a dela. Por conta de sua indisposição ela deixou que ele sugerisse o gosto que ela provaria. Ele a serviu um gosto doce, que raramente alguém pedia. Era esse, sempre o doce que sobrava. Não havia nada de errado com o gosto doce, talvez houvesse algo de errado com os pedidos que se repetem fechando as portas para alguma novidade.O doce foi como a chave que abriu nela a vontade de fazer um caminho mais longo, naquela noite. Ela foi, não disse a ninguém pra onde, porque não sabia. Ele ficou exatamente no mesmo lugar, daquele palco que era o bar. Ficou porque ensinaram a ele, que quando se perdesse de alguém, deveria ficar imóvel, tanto quanto possível, porque assim seria mais provável o reencontro.Foram noites imóveis. Foram mais chaves depositadas. Foram mais histórias repetidas. Ela se foi como as estrelas, deixou suas chaves e deixou sua luz. Ele acredita que ela voltará, não pra buscar as chaves, nisso ele mantem a certeza de que nunca as recolhem, mas pra repetir o gosto doce, que ele continuará produzindo, prevenido pra quando a porta se abrir e ela outra vez chegar.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Como as Extremidades de um Caracol.
Seja pelo seu humor escancarado ou pela ausência absoluta dele. Ausência de humor acompanhada de uma lista de explicações que explodem, de repente, sem que sejam solicitadas. Quanto menos se solicita, mais ela anuncia sobre sua falta de graça. Ela grita. Vive assim em labirintos, caracóis. Volta e meia, esbarra. Somente daí tenta perceber onde está, mas é breve a tentativa. Parece descomprometida com o lugar. Flutua nele e pisa fundo. Tal concha nas areias, dependendo mais do mar do que da sua vontade de ficar. Explora e desconhece. Complicada e óbvia. Transitando de um extremo ao outro sem hastear a bandeira em ponta alguma, apesar de sempre carregar uma. Nem sempre a reconheço,tão estranha e parecida com o que já vi. A identifico pelas bandeiras, sempre presentes. A tentativa de qualificá-la seria uma perda da razão, porque o que ela pode vir a ser, será diferente. Não comporta qualificação. Então, quando a encontro, perdida em alguns dos seus caminhos indescritiveis, não resisto em espiar, por alguns instantes me concentro e quase consigo enxergar - a ela e aos seus labirintos- mas tão rápida diante de mim, num entra e sai do centro, que outra vez, me desconcentro. Do que queria ver, fica um rastro e a visão distante de um mastro, da tal bandeira que já se sabe, ela vai hastear no lugar nenhum.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Tuuudooooo e você?
Há pessoas e há peçonhas! Nem precisa citar a diferença entre ambas, porque são evidentes, saltam aos olhos e dos olhos.O olhar da peçonha é diferente, é agitado, é detalhado e é sobretudo cheio de maledicência. Não é curioso, é bisbilhoteiro. Enxergo as peçonhas num raio distante. Elas são bem óbvias. Encontrei com um exemplar de peçonha, no shopping, ou melhor, ela me encontrou! Shopping num sábado que não é um qualquer, é o do dia dos namorados. Cheio de adolescentes comprando mimos e fazendo mimos uns nos outros.Mimos com mãos, mimos com línguas e com sons tipo ashuashuashua. Essa multidão crescendo diante dos olhos e mais os olhos da peçonha...uma doideira, que me faz vesga!
Estava eu tomando um café, sentadinha, quietinha, mirando o NaDa que eu sei que existe e vejo, e sinto e até me comovo com ele, quando algo me chama de volta pro "mundo shopping de ser" da seguinte maneira: "Tuuuuudoooooo?" Consegue entender o "Tuuuuudooooo?" Conhece alguém que se aproxima de você ou de qualquer um e ao invés de dizer "Oi, tudo bom...que bom lhe ver...etc e tal" quer dizer tudo isso apenas com um longo 'Tuuuuudooooo? ' A abordagem já me deixa com pouca vontade pra qualquer coisa, imagina pra "tuuudooo". Eu respondo "Tuuudoooo!!!!" No mesmo ritmo, intensidade e quantidade de vogais. Fazer o que né? Tenho que acompanhar. Eu poderia dizer qualquer outra coisa e ela não me entender. Não arrisquei. A peçonha chega, diz nada com o tal do tuuudooo e senta à minha mesa. Sem ser convidada, por óbvio. Vai largando sacola, bolsa tuuudooo em cima da mesa que eu fiquei namorando por uns vinte minutos torcendo pra desocupar, pra tomar um café e falar com o meu NaDa preferido. Ela sem o menor esforço se atira. Criatura peçonha acomodou-se e o olho começou a corrupiar e bisbilhotar em tuuudooo o que havia em mim. Neste contexto eu peço: dai-me a força! Isso é desconfortante, incomoda, perturba, irrita. Faço figa com os dedos, penso na minha imagem mergulhada num lago azul ( me ensinaram isso pra espantar mau olhado). Quase me afoguei no lago de tanto que me imaginei dentro dele. E a peçonha ali, indelével. Nesse momento eu começo a desconfiar...Será que tem geléia no meu cabelo? Cocô de pomba? ou Você viu quem vai ficar com Mary?
Além do olhar tem as perguntas. A peçonha é uma metralhadora. Como esse tipo é sem censura, comecei a relaxar e me entreguei a ela. Servi de espelho. Repetia sem contrangimento os olhares, para mim mesma. Assim, aproveitei um pouco pra me olhar. Ficava dificil quando era pra minha franja, mas me esforcei.Tanto que ela entendeu o sinal e sei que ela entende bem pouca coisa. Assumi a função do espelho e percebi que ela começou num desconserto gradativo. Eu já tinha terminado meu café, o meu NaDa já havia desaparecido no meio da multidão e foi tudo em breves minutos que pareceram ser um período muito longo. Insuportável. Ela recuou e lançou o pleonasmo comum e por isso aceitável, quase irreparável se não tivesse vindo de quem veio..."vou indo"..."Ahhhh, já vai?!"...ela já em pé me dando um beijinho eu tive que perguntar "foi bom pra vc? " ela sorriu e disse apenas 'Tuuudoooo'!!! Continuei lá meio perplexa com o burburinho e com essa maneira de chegar e partir que já nem é mais singular, porque já vi outras usando o termo. Já pensou se pega? Fiquei ali entre o tuuudooo e o meu NaDa...ficarei contemplando o nada, ele apareceu novamente diante dos meus olhos e, desta vez, depois de tudo, parecendo muito mais encantador!
Além do olhar tem as perguntas. A peçonha é uma metralhadora. Como esse tipo é sem censura, comecei a relaxar e me entreguei a ela. Servi de espelho. Repetia sem contrangimento os olhares, para mim mesma. Assim, aproveitei um pouco pra me olhar. Ficava dificil quando era pra minha franja, mas me esforcei.Tanto que ela entendeu o sinal e sei que ela entende bem pouca coisa. Assumi a função do espelho e percebi que ela começou num desconserto gradativo. Eu já tinha terminado meu café, o meu NaDa já havia desaparecido no meio da multidão e foi tudo em breves minutos que pareceram ser um período muito longo. Insuportável. Ela recuou e lançou o pleonasmo comum e por isso aceitável, quase irreparável se não tivesse vindo de quem veio..."vou indo"..."Ahhhh, já vai?!"...ela já em pé me dando um beijinho eu tive que perguntar "foi bom pra vc? " ela sorriu e disse apenas 'Tuuudoooo'!!! Continuei lá meio perplexa com o burburinho e com essa maneira de chegar e partir que já nem é mais singular, porque já vi outras usando o termo. Já pensou se pega? Fiquei ali entre o tuuudooo e o meu NaDa...ficarei contemplando o nada, ele apareceu novamente diante dos meus olhos e, desta vez, depois de tudo, parecendo muito mais encantador!
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Não é cultura é lamentável.
Passei a semana com a imagem do menino de dois anos fumegando feito chaminé e ainda fazendo malabares com o tal do pito. Fiquei sarapantada. Não há cultura que explique. E é justamente essa a motivação pra eu digitar algo sobre o assunto. Quando falei da minha impressão, ouvi de muitos "pseudo antropólogos" que "isso é cultural, as crianças na Indonésia fumam, a produção de tabaco é muito forte lá, é uma pratica comum." Pra quem eu peço socorro numa hora dessas? Pra quem nós, seres que respeitam a infância, pediremos socorro? Por elas, pelas crianças! Pessoas inteligentes "sociologizadas", políticas e transgressoras, explicam o fato como sendo cultural? De onde virá o freio pra esse loqueteio? Chegará o freio em 2012 como aponta o calendário dos visionários Maias? Tudo indica que sim, porque é mesmo o fim dos tempos. Graças ao indonesiosinho fumegante descobri que sou etnocêntrica convicta (como todo o gaudério) e sofro de intensa xenofobia. Cultura pra mim é a burca, as indumentárias, a poligamia, o Kama Sutra, arrotar pra agradecer, chamar vômito pra comer mais e mais. Cultura não é chique. Não é visitar o Louvre duas vezes ao ano, assim como não é a criança fumando, a criança armada, a criança laranja do tráfico, a criança prostituta ou a michê. Isso é a ausência absoluta de valores. É o vazio cultural. Sinto-me curiosa diante das verdades culturais, mesmo que não as entenda, porque não as protagonizo. Mas sou capaz de relativizar. Isso eu aprendi, tudo o que não se entende é relativo. Sei olhar com respeito o que é do outro. Por isso, grito...NÃO É CULTURA! Tem que acabar. Como tem que acabar com tantas coisas que destróem publicamente a infância de qualquer continente. Conheço uma moça que atualmente é comissária de bordo da Emirite Airline (isso é chique) e o marido de uma amiga que faz negócios por lá. Ambos me contaram que as mulheres de burca questionam como conseguimos não usar a burca. Pra elas, aquele manto negro é uma mão na roda. Caso os cabelos estejam muito rebeldes, as olheira muito profundas e uma falta de vontade danada de lavar o rosto, quiçá o cabelo, a burca resolve. As mulheres de burca fazem chapinha, escova, hidratação tudo como nós e somente quando estão a fim. Alguém imaginou que não houvesse feminilidade por de trás do manto? E não é privilégio exclusivo de "a lot of money". Como aqui também não é. Damos um jeito, mesmo que esse seja o passar os cabelos a ferro. E as outras mulheres do marido? Elas se adoram. Vivem todas juntas, cada uma num andar e todas têm tudo o que a outra têm. Até o marido. Pra que ciúme e inveja? Estão livres do dia-a-dia. E ainda têm a vantagem de anunciar uma pra outra como medida preventiva "fica ligada que o vivente hoje tá com a macaca." Aqui, o vivente não poderia ter mais de uma, mas normalmente tem, pelo menos uma vez na vida. Só que não consegue bancar tudo ao mesmo tempo. Nem no dindin nem a "atenção". Lá a "atenção" é dividida, cada dia pra uma. Aqui, não tem como fazer esse negócio, daí percebe-se que o vivente se mete de pato a ganso e fatalmente afunda. O fiasco é total quando elas se descobrem. Nossa! Acho mais que patético as primeiras damas americanas e outras personalidades femininas ouvindo as desculpas públicas dos maridos. Hillary superou, mas por onde andará a Mônica? Vendendo charutos na Indonésia? Ah, não me diga isso! Bem, não tenho nunca a pretensão de desenvolver um discurso acertado, e nem preciso dela - da pretensão - pra mostrar minha indignação. Criança fumando é absurdo, não é cultura. Não tem que ser aceito, não tem que ser relativizado. Piaget não funcionou? Pinochet deverá funcionar, pode ser o Dr.Gregory House. E completo, para elas, as que lerem pensando...uma sociedade patriarcal, nós somos independentes, livres, a cada dia nos promovemos mais financeiramente...elas...as da burca estão atrás, estão subestimadas...fica meu riso, com som de irônia.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Xy x XX....que M eu fiz?
Tenho tanta coisa pra blogar! Nem sei se existe o termo, mas sei que neologismos internéticos são sempre aceitos. Logo, blogar "ecxiste"! Sempre que me sinto assim, de alma tumultuada, escrevo ou digito. Quando escrevo -no papel- é impublicável, quando digito - na tela do computador - também deveria ser. Graças ao blogspot não é! É público. E ainda hoje, apesar do teclado, escrevo muito. E tem que ser com Bic escrita fina e a tinta preta, que é eterna. Azul apaga com o tempo. Trata-se de uma vontade pessoal de revelar. Escrever é uma forma de recodificar as vivências.Trata-se do meu jeito de pensar sobre elas. Um dia acredito que serão lidas e daí serão reveladas as coisas que alguns já sabem. Pra esses, serão confirmadas!Para os que terão reveladas, é "surprise" e eu não mais estarei aqui pra ser julgada. Porque enquanto estiver, escondo o que é escrito. E você, arrependa-se por não escrever. Procurei, procurei e procurei um texto que recebi como sendo de autoria da Martha Medeiros e não achei. E acho que não achei porque não deve ser dela. Internet aceita tudo de neologismos a falsas autorias. Mas lembro que ri muito do texto. Queria ler de novo. Queria rir. Faz tempo. Tratava do sexo de genes XY. Daqueles detalhes desta genética que se revelam com algum tempo de convivência. Em contraponto, tratava do sexo XX, mas esse era meio " pano de fundo", ou talvez, aqui esteja uma questão do ponto de vista feminino. Nem importa. Quero é focar no XY. Precisamente no X da questão. Mulher sempre fala de homem, use ela sapatilhas ou não...elas falam de homem. Falam de perfume, de novela, de shopping, umas mais avisadas, de literatura, de vinhos, de viagens, de poetas, de músicas, de filmes, de receitas mas, sempre falam de um XY. Falam mal, falam bem ...Elas falam, deles...e eu ainda penso...se eles soubessem...mudariam! Acho que é uma tentativa ( ou esperança) de entender o que não é possível. Eles dizem o mesmo de nós, mas sejamos honestas, de maneira muito mais simplificada. Quase de maneira reducionista. Nosso complexo XX é tranformado, pela língua dos XY, em uns "Bes". Simplesmente B! Pense em todos os "bes"que você conhece se for uma XX. Não se esforce, porque não precisa. Fique nos dois "bes" que tá Bem Bom! Isso mesmo B de... e B de .... e tá completa a lista do vocabulário do XY sobre o XX.!Pense nos únicos que você reconhece,se for um XY. Isso é revoltante até certa medida, porque noutra medida é o atalho racional para aquilo que também pensamos e queremos. E MUITO! Só que nunca é simples assim, como na lingua do XY. O trajeto é sempre mais longo, detalhado, enfeitado.Começa pelo menos 24 horas antes do que começam eles. e isso, quando estamos com o tempo contado. Digamos, "por óbvio" que o que insistimos em fazer, é uma legitima e total perda de tempo . Uma caminho bem mais longo pra chegar no mesmo lugar. Na linguagem dos trabalhos seria algo como o retrabalho, né? Na linguagem coloquial humana poderia ser a burrice absoluta, na linguagem do coração ... são coisas de mulher. Respeite! Tive um dia bom. Graças aos céus os meus dias não são estressantes. São dias! Enxergo a vida. E quando é noite, sonho com ela. Coisas de mulher. Mas, digamos que tive um dia que nem tudo deu certo. Absolutamente certo, como eu queria. Algumas coisas ficaram pela metade na avaliação da minha idealista cabeça feminina, que vai MUITO além dos " bes" da cabeça dos XY e um pouco além do que vai a idéia de ALGUMAS das XX, conforme o disgnóstico médico. Por conta disso, decidi tomar uma espumante (champagne como comumente e erradamente se diz, mas não to aqui pra corrigir ninguém, até porque nem tomo champagne, só tomo espumante mesmo e recomendo as chilenas). Espumantes aliviam e liberam o poder feminino de flutuar e intensifcam o de rir, o de gargalhar, seja por nada e com o detalhe do sem parar. Até irritar, os outros...preferencialmente os XY. Eu tomo espumante e libero a louca guardada( nem tão guardada, meio escondida apenas!) Começo a rir, até com aquilo que "de cara" eu sei que iria chorar. E que assim seja, pra todo sempre! Neste exato momento, acho que eu deveria chorar. Por conta do amontoados de "emes"que fiz hoje, motivada pelo XY e violando os Bes da cabeça dele, porém não deveria ter feito. Certeza absoluta. To rindo, por conta da espumante. Agora nem adianta arrepender, nem pelas calorias da espumante nem pelo resto feito. Arrependeria pela espumante derramada, apenas! Não derramei. Lembrei de outro texto, sobre dar um " del" nas mensagens já enviadas via celular ou via computador. Não tem como. Alguém tem que criar isso. Desfaça o e-mail e desmanche a mensagem. É tarde demais... já foram enviadas, querida, agora afogue-se na espumante e agradeça se a sua for chilena. Por sorte, temos as porcarias das operadoras, que não entregam nada em tempo real. Alivia...um pouco. Dá tempo de pensar numa desculpa pra explicar aquilo que não se explica, pra quem a gente não entende e, pra complicar um pouco mais minha vida e a sua leitura, ainda faz que não te entende e menos ainda entenderia os nossos "emes". Ficamos zero a zero no entendimento. Afogada em espumante, estou eu aqui, ainda a digitar...querendo lembrar de um texto que acho, é da Marta Medeiros, só pra confirmar o que são os donos do XY. Queria rir deles. Na falta do texto, resta a última gota da esperança e a da espumante, pra chorar...de rir!
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
A vaca!
Seguinte!!! Eu me desloco sob um sol febril de 31 graus centígrados para a tal da pinel.Louca! Louca pelos banhos de sol e piscina conjugados e lembrando, entristecidamente, que logo serei deportada para as ondas salgadas de cor marrom, na areia com xixi de poodle, no ambiente enfeitado pelas piriguetes e pelos "sem noção de nada" - inlcusive do perigo que correm - dos que jogam futebol, com bola de couro, na beira da praia , perto de mim. E mais aqueles, que insistem, incansavelmente, surfar, às dez horas da manhã, onde não tem onda. Isso é o "litoral"que frequento. Ah, e tem vento! Óh! DEOS! Fui. Tenho que ir. Pinel e praia pra mim são praticamente a mesma coisa. Preciso resolver logo, mais que logo, minha insônia. Chego, e já me deparo com dois sujeitos - style unknown - comendo maçã. Com jeitos aparvalhados, por óbvio! Um deles resolve criar um problema, exatamente na hora que meu médico, e pelo indicado na situação, médico dele também, deveria me atender. Interrupções. Ele, um dos aparvalhados, dizia sem constragimento enquanto o outro comia a maçã : "eu vim pra ser internado, eu tô ruim, bem ruim..."ao que o médico respondia: "traz a guia, busca a guia que eu te interno..."o Tonho da Lua revidava: "que guia?? é culpa de quem??? eu trouxe a mala, não trouxe a guia, eu tô ruim, eu vim pra ser internado!!" Era a minha vez de ser chamada. Tive que resistir e ficar ali, quietinha esperando o Tonho se acalmar e ser convencido de ir em busca da guia ou pra lua ou a merda. Fui chamada. Segunda fase da avaliação. Transcorria tudo bem, até que...a vaca!!! Uma vaca na figurinha. Eu tinha que dizer o que faltava na vaca. Comecei a rir. Daquele jeito que eu fico sem saber como parar e vai me dando um nervoso, provocado pela certeza de que eu tenho que parar, e a coisa vai crescendo e eu não paro. O médico me olhando e eu olhando a vaca. Tentei disfarçar fingindo concentração, mas nessa altura da história não havia a menor possibilidade para tal. Faltava algo na vaca e eu não sabia o que era. Tinha rabinho, tinha as patinhas, parecia completa. As tetas! Tinha tetas!! Eu contava as tetinhas da vaca na figurinha e como resistir? Eu ria, muito! Que fiasco! Eu não trouxe a mala, nem sequer a guia. Eu não vou ficar!!! Pensei em disfarçar, perguntando ao médico se ele já havia comido "úbere", assim eu distraia ele e ainda mostrava uma certa cultura acerca da vaca, ou melhor, cultura de comer vaca. Resumo do ato. Defrontada com a vaca, meu maior problema, naquele instante, foi constatar que eu nunca olhei pra uma vaca assim, tão de perto. Esse tipo de vaca.Sem salto, sem mega-hair, sem silicone, sem brinco. Vaca comum, da natureza mesmo. Não vacas montadas,vacas fake!!! Putz. O que faltava naquela vaca? Eu não dormirei hoje, pensando nela. Louca! Louca pra saber! Na falta do que dizer, e querendo virar a folha da apostila da avaliação e me livrar logo daquela situação eu disse: "orelhas". Nesse momento, meu amigo e minha amiga, vale dizer até "antenas". Acho que me arrependo de não ter dito isso: "Antenas!" Já que meu prognóstico é de "Tonha da Lua"que seja com estilo, né? Mas, eu fui simplinha, chutei as orelhas da vaca. Daí, rolou todo o resto da avaliação e eu voltei pra casa e no caminho continuei rindo e muito intrigada com a vaca. Pra mim tava completa. Já em casa, quis descrever a figura da vaquinha sob os olhares atentos dos meus. A vaca tinha duas orelhinhas, caidinhas. Tive um insight que ela tinha mais duas, em cima da cabeça.Justamente essas, as que faltavam. Expliquei. A pergunta do dono das armas, não podia ser outra: "Onde tu viu vaca com quatro orelhas? Onde tu viu qualquer coisa, que tenha orelhas, com mais de duas orelhas?" Minha "principessa" responde: "Um E.T!" Pronto! Disparou o riso de novo. A "principessa"começa a rir de mim, o senhor das armas também e eu, também. Horas de risos, por conta da vaca! Viva a vaca! Marina é perspicaz demais. Caso, na análise do meu caso, haja muita controvérsia em torno da vaca de quatro orelhas, contarei isso: "Sim, conheço uma vaca abduzida." Fica tudo resolvido. E eu não levarei a guia!! Agora vou contar vacas, na tentativa de dormir e amanhã, jogo no bicho. Vai dar vaca na cabeça.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
A idade da loba - fase II - versão : a incendiária!
No exato momento me veio à mente uma música "daquele tempo" que se não me falha a memória ( como diria a minha, a sua e a avó de todo mundo) era cantada pela Fernanda Abreu:
"são três horas da manhã, você me liga
pra dizer coisas que só a gente entende
são três horas da manhã, você me chama
com seu papo poesia me transcende...
sua voz está tão longe ao telefone
fale alto mesmo, grite, não se importe
pra quem ama a distância não é lance
a nossa onda de amor não há quem corte..."
Lembrou? Ah! Pegou a melodia né? Tá cantando?! Sei! Imagina se você passar o resto do dia com isso na cabeça! Obviamente minha lembrança é só do refrão, até porque a música não merece ser lembrada por sua qualidade. Porque lembrei da música então? Porque são três horas da manhã (dan!!!!) Também é o que se diria a essa explicação "naquele tempo". Ninguém me ligou com papo poético transcendente, não estou acordada por causa de um amor perdido na madrugada, e sim por causa da insônia! Tudo bem, meu bem! Tentemos manter -se em "up" e vejamos o lado bom disso: não tem nenhum maluco, que só poderia estar bêbado, chapado ou cheirado, pra me ligar a essa hora, até porque, quem me conhece, sabe que durmo (modo de dizer) com o dono das armas ( não é modo de dizer, é verdade mesmo!) ao meu lado. Fato este, que pelos acontecidos das últimas noites, não me faz sentir exatamente protegida. Pelo contrário! Penso que todas elas podem ser apontadas pra mim, e não será de repente e nem sem querer ... porque acho que o dono das armas, que é o mesmo dono do manguito rotator (essa só entende quem acompanha meus escritos biográficos do blog) está considerando, qualquer movimento meu a "última gota pro transborde" e pra quem gosta dos ditos, isso é justamente o oposto dele estar me achando o
"último biscoitinho recheado do pacote".Eu posso afirmar que já fiz de tudo que sabia pra dar conta da tal insônia, que começou no ano passado, quando completei quarenta primaveras (acho um pouco mais que rídiculo essa história das primaveras... mas noi accettiamo questo caso). Inclusive escrevi sobre ela querendo explicar de um jeito glamuroso, floreado, falando da idade da Loba, brindando as minhas amigas e amigos, que descobri naquele período, também não dormiam e pelo que sei, hoje ainda não dormem. Quando meu problema surgiu, fiquei muito preocupada, e como toda a boa escorpiana "me pensei" singular. Daí fui eu contar pra toda gente, meu problema "super pessoal e intransferível" e "toda a gente" acabou com a minha singularidade recitando uma lista de "bolinhas" utilizadas por eles. Tipo assim (é assim que se diz neste tempo) o meu problema singular e intransferível é comum e plural. E reduzindo toda a minha insônia ao fiasco da idade me recomendaram parar de fazer apologia contra bolinhas e tomá-las, com muito amor e carinho, caso eu queira me encontrar com Morfeu. Tá certo! Tive que me render, mas pensei que seria apenas naquele momento. O momento inaugural das quarenta primaveras. Tudo transcorreu bem depois das primeiras trinta bolinhas. Pronto! Fiquei feliz com a possibilidade do singular novamente. Eu durmo e sem bolinhas! Nhécas!!! Para minha surpresa, mas não para surpresa geral da nação, eis que exatamente no período da quadragésima primeira primavera ( agora ficou péssimo né? abusei do rídiculo, primaveras + numeral ordinal)eu volto ao comum absoluto. Não durmo. Definitivamente, quero as bolinhas! Só agora cheguei onde queria com toda essa digitada...que bolinhas??? Elas não funcionam comigo, ou ao menos não como deveriam. Não, do modo como todos os meus amigos "catedráticos em bolinhas de dormir" me contaram, que seria. Elas me derrubam, mas não nos braços de Morfeu. Fico tonta, vertiginosa e fundamentalmente raivosa.Não espumei pela boca, até agora. Estou relativamente light quanto a isso, a raiva está controlada no RS. Fui ao médico. Lógico. Psiquiatra, mais que lógico! Até porque, preciso justificar com a maior cena originada pela minha irritabilidade. Dia desses, quando amanheceu e eu não acordei porque eu não dormi e tomei bolinhas e foram "inhas" mesmo, porque mais de uma. Resolvi sem pensar (sem pensar!!!imagina o que eu faria se pensasse um pouco!!!) fazer uma sessão exorcismo ( espero que o Papa não esteja lendo isso e é provável que esteja, porque eu, como toda a escorpiana que se preste, acredito ser a preferida de Cristo). Exorcisei os travesseiros. Todos! Eram nove. Me dei conta do desperdício...pra que tanto travesseiro numa casa com três pessoas?Coloquei todos na churrasqueiram gastei dois litros de álcool e... fogo neles! Fez uma mega fogueira! Adiantou? Nada! Não dormi mas reforcei minha fama de maluca e ainda, conforme o dono das armas, o mesmo cara do manguito rotator lesado, não haverá churrasco nessa casa até que eu desgrude tudo aquilo que está grudado lá, no fundo da churrasqueira.E eu que nem estava comendo carne, hoje, senti uma vontade danada de comer churrasco! Entendeu agora porque eu não sou mais o último biscoito do pacote dele? Entedeu também porque eu não me sinto exatamente protegida pelas armas dele? Bien, bien, perdi o churrasco, perdi os travesseiros e pelo que você pode perceber, não achei o sono e que me sinta feliz porque
http://www.youtube.com/watch?v=_dWB4dyl-lw
PRECISO EXPLICAR? O ébano no início do texto é o Morpheus de Matrix...só pra constar que quando me refiro a querer encontrar Morfeu é o dessa versão, a atual, na pele de Laurence Fishburne! I like it!
sábado, 26 de setembro de 2009
Um dentinho frouxo confirmou!
Faz alguns meses que minha pequena adorável, volta e meia e volta inteira, se aproxima de mim com olhos de surpresa e boca aberta para anunciar:
Foi o que eu disse. Somente na infância sabemos comemorar com orgulho os dentes perdidos. Minha "pequena adorável aspirante a ser grande" saiu por aí, abrindo orgulhosamente a boca pra todos os que encontrava, mostrando seu crescimento. E eu, bem menos distraída, ao seu lado observando e volta e meia e volta inteira pensava: "Preciso levá-la ao dentista...tomara que os dentes por vir sejam lindamente perfeitos como os que estão a ir..." E é esse o meu pedido pra fada do dente, eu também acredito nela. O tal dentinho frouxo falou comigo e me resgatou da distração, acabo de descobrir que eu também precisava da confirmação...ela tá mesmo crescendo!
"Mãeeeeeee, meu dente tá frouxo!"
Essa atitude está ligada a um desejo enorme de crescer que toda a criança sente. Um dente frouxo é a confirmação de que se está crescendo. Imagino que esse desejo por um dentinho frouxo, tenha surgido ao enxergar a boca de sua prima, tempos atrás, cheia de portinhas abertas. Certamente, além de ver, recebeu alguma explicação genial com direito a fadas, moedas, sonhos, mega-poderes e com todo esse incremento explicativo, percebeu o poder que representa carregar uma boca banguela entre as crianças(e somente entre as crianças).Eu não estava junto no momento exato em que a conversa aconteceu, mas não preciso de muito esforço para imaginar. A partir daí, muitas foram as vezes que minha pequena insistiu que eu mexesse em seus dentes para sentir o que só ela sentia, um dentinho balançando. Todos estavam ali, bem firmes, mas ela volta e meia e volta inteira:"Mãeeeeee, meu dente tá frouxo!"
E lá estava eu, dedicada a investigação que já sabia, o veredito seria o banho de água fria naquele desejo:"Tudo firme! Ainda é cedo!"
Até que, estava eu distraída e fui literalmente chamada a realidade pelo desejo anunciado:"Mãeeeee, meu dente tá frouxo!"
Estranhamente os olhos não estavam com os pontos de exclamação estampados na íris, como toda vez que o desejo era manifestado e foi por essa minha observação materna, que o meu coração materno abalou e apesar das tantas outras vezes , foi nessa a única que senti vontade de perguntar, antes de tocar:" Bateu a boca?"
Os olhos pareciam assustados, talvez com a verdade que ela já sabia e que eu, pressenti, confirmaria. Mexi."Mexeu! Tem dente frouxo aí!"
Meus olhos que se exclamaram e o meu riso aliviou o receio inesperado, que nela apareceu ao encontrar o que há tempo desejava, a confirmação de que está mesmo crescendo!Ela, linda de dente mole, suspirou, riu e gaguejou:"Vai doer?"
Faltou em mim a coragem que tive nos vereditos anteriores. Não vou desajeitar esse momento precioso explicando que crescer, de certa forma, sempre dói. Preferi lembrar da fada do dente, da delícia de passar a língua entre os "espacinhos sem branco" e da chance única de um assovio diferenciado se pronunciar!
"Será muito divertido!"
Foi o que eu disse. Somente na infância sabemos comemorar com orgulho os dentes perdidos. Minha "pequena adorável aspirante a ser grande" saiu por aí, abrindo orgulhosamente a boca pra todos os que encontrava, mostrando seu crescimento. E eu, bem menos distraída, ao seu lado observando e volta e meia e volta inteira pensava: "Preciso levá-la ao dentista...tomara que os dentes por vir sejam lindamente perfeitos como os que estão a ir..." E é esse o meu pedido pra fada do dente, eu também acredito nela. O tal dentinho frouxo falou comigo e me resgatou da distração, acabo de descobrir que eu também precisava da confirmação...ela tá mesmo crescendo! sexta-feira, 26 de junho de 2009
A LUA de MICHAEL
Devemos não somente nos defender, mas também nos afirmar, e nos afirmar não somente enquanto identidades, mas enquanto força criativa.Michael Foucault Soube da morte de Michael Jackson pelo portal do Terra.Aquele impacto! Impacto provocado pela impressão que acredito seja coletiva, que não nos permite aceitar a mortalidade dos geniais. Essa impressão e desejo, sobre o que é bom não acaba, é a responsável por muitas das nossas frustrações e começa na infância quando nossos ídolos se desfazem diante de nós. De fato são imortais os portadores de uma vivacidade que não cabe em espaço nenhum. Nem geográfico nem temporal. Gênios transcendem todos os limites e bem particularmente os seus próprios, justamente os limites que são inimagináveis para a maioria da população mundial. Michael foi um gênio na criação da sua expressividade e se utilizou de formas universais para sua expressão, a música e a dança! E elas nunca estavam sozinhas. A musicalidade desse gênio esteve sempre acompanhada de uma performance extraordinária, complexa e nisso tudo, indiscutível. Não se trata de uma questão de preferências ou gosto musical. Quando nos referimos aos geniais, em qualquer uma das expressões da genialidade, não podemos pensar em nossas preferências. Nem pensamos! Apenas nos rendemos diante da magnitude infinita. Como é delicioso ficar admirado pelos bons. Há gênios maus também, esses não despertam em nós a admiração, mas impressionam. Michael tinha performance no palco e fora dele. Penso que ele se fundiu com sua criação, daquela maneira tal, que a criatura supera e consome o próprio criador. E ele virou sua caricatura! Não penso de forma reducionista sobre um ser com sua envergadura, por isso não considero que tenha feito, tudo o que fez consigo mesmo, diante dos nossos olhares, apenas por seu ego e vaidade. Lógico que não! São muitos e mais complexos os componentes que impulsionaram a metamorfose.Componentes indecifráveis.Não há especilaistas para os desejos dos geniais! Há expectadores e muita especulação, somente isso e também por isso, tudo é contestável. Vendo os clipes, todos longos em duração,cada um, um curta metragem de muito alta qualidade cinematográfica, enxergamos uma parafernália de expressões além da música. Dança! Coreografias perfeitas em completa sincronicidade dos dançarinos entre si e com a melodia. Os barulhos dos passos e os sons das forças para executá-los integravam as composições e desenhavam para os olhos enxergarem, aquilo que é abstrato e por isso, não dá pra ver na verdade, o ritmo.Que ritmo! Vivacidade é isso, uma vontade tão grande de dizer que explode e diz com propriedade e de todos os jeitos possíveis e, para os impossíveis, o gênio cria o jeito. Clipes da década de oitenta e com valiosa tecnologia e seus efeitos mega especiais. Dramatização e enredo. Alguns com o bonus das mensagens visionárias e outros com o bonus das mensagens imaginárias. Mas, se fosse show, apenas ele e o palco, não sentíamos nenhuma falta dos acessórios dos clipes. Moon walk assinava seus palcos. Todos os palcos autografados pelos pés flutuantes. Michael flutuava, assim como seu ícone infantil Peter Pan. O que faz de algumas pessoas, seres tão diferentes, inimagináveis, surpreendentes e insubstituíveis? A originalidade. Ser original é ser único e ser único é ser incomparável. Michael foi muito original.Os originais carregam o castigo dos limites intransponíveis por conta da absoluta ausência das limitações próprias. Nós, os encantados, escravizamos cada um deles com nossa expectativa e admiração, e não lhes permitimos mais a paz e nenhuma forma de liberdade. Nada deles é privado, tudo deles é pra nós. É o preço que paga o gênio, ficar preso no holofote. Michael me encantou sempre. Quando criança, e eu mais criança que ele, adorava o desenho pop dos Jacksons Five. Na minha adolescência, assistia MTV e nunca perdia o clipe inédito lançado em rede mundial sendo no Brasil pelo Fantástico. Cada clipe, um show de vida. Mas por incrivel que pareça, a vivacidade esgota.Nunca acaba, mas esgota o corpo que habita. Gênio é OVER até o fim, e criam o fim assim, com alguma overdose.Penso que ele tenha decidido a hora final, afinal o espetáculo sempre esteve sob seu comando, não delegaria esse momento inédito a ninguém, a não ser a ele mesmo. Fica a impressão que foi antes da hora, mas ele vai lidar bem com nosso insaciável desejo de "queremos mais" e nos surpreenderá mais uma vez, porque como todos os geniais...Michael não morreu... eu ficarei olhando a Lua, desconfio que o verei por lá...era seu desejo, ensaiou Moon Walk a vida inteira diante de nós,certamente não foi à toa!
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Perdi? Deve estar na bolsa!
Você é como eu, do tipo que esquece de um monte de coisas no meio do caminho? Eu vivo esquecendo dos detalhes materiais. Faço muitas faxinas na minha bolsa, mas nem parece. Jogo tudo dentro pra não jogar no chão e a bolsa vira uma muvuca. Então quando tenho que procurar algo como um pendrive, isqueiro, chaveiro ou um gloss, pronto! Tiro uma montanha de coisas dali e a metade fica pra fora, por causa da pressa. Falam que bolsa de mulher é um arsenal. A minha é mesmo. Mas, prefiro chamá-la de baú de utilidades.Por isso, só uso bolsa grande, pra caber tudo que uso e outras coisas que nem preciso e não lembrava, moram nela. Isso se explica, pelo prazer inexplicável de um alguém qualquer precisar de algo e eu ter o "algo" na minha bolsa. Neosaldina? Perfume? Lenço umidecido? Pendrive com 1000 músicas? Tenho, tá tudo aqui...em algum lugar ... pode ser bem no fundo.Já vou achar! Adoro!O problema é quando a gente perde alguma coisa, e sempre juraaaaaaaa pra si mesma, que deve estar na bolsa. Comigo é assim. Quando não encontro algo sempre penso: deve estar na bolsa. Nem sempre estou certa. Quando a gente tira tudo da bolsa, sacode a coitada de cabeça pra baixo, confere bem pra ver se realmente não tem nenhum furo no forro e a tal da coisa procurada não aparece...nooossaaa...é uma desilusão de cortar o coração. Tá perdido, mesmo! Ontem, esqueci várias coisinhas numa fração de tempo mínima. Tudo desencadeado por uma pergunta: Alguém tem uma musiquinha aí? E eu, orgulhosamente, procurei meu pendrive com 1000 músicas na bolsa e ofereci, com aquela cara de "eu tenho"! Só que pra achar o pendrive, todos a minha volta souberam que além dele, eu tinha mais muitas outras coisas. Uma montanha formada por perfume, escova, espelho, carteira,celular,chicletes (uma variedade deles,icluindo todos os lançamentos) niqueleira,necessaire,prendedor de cabelo, cartão de banco, cartão de plano de saúde...os meus nunca ficam no lugar que deveriam, sempre saltam da carteira pra se divertirem com o meu gloss. Adoram se lambusar de gloss. Logicamente que na hora de usar o cartão no caixa eletrônico sempre aparece a mensagem...problemas na identificação do cartão... daí, enfio o coitado na máquina do dinheiro, umas oito vezes, até limpá-lo na própria máquina e ele é reconhecido, então aparece a mensagem, ah! é o cartão da Fe! Acontece algumas vezes de eu ter um cartão daqueles que liberam nossa entrada em um determinado local, cartão de identificação,que não é nosso e mesmo assim e estranhamente é o que nos identifica pra entrar e pra sair do lugar. Meu problema foi o pra sair. Na busca incansável pelo pendrive e na busca mais incansável ainda, de parecer impressionante por ter 1000 músicas na bolsa,perdi o cartão de identificação e o ticket do estacionamento. Não tive dúvidas. Tirei tudo da bolsa em cima do balcão de mármore, mais uma vez num mesmo dia, em busca daquilo que juro, está na minha bolsa. Não estava! Como o segurança do local já me viu e me vê sempre, porque sou educada e o cumprimento diariamente, ele deixou eu passar na roleta digital, com o empréstimo do seu cartão de trabalho, mas só pra eu ir até o estacionamento e não pagar hora extra, por causa de minutos extras. Minha idéia era pagar o estacionamento e o tempo do manobrista buscar meu carro, era o mesmo tempo que eu precisava pra voltar e achar o dito cartão, que ainda acreditava,deveria estar na minha bolsa.Tudo bem articulado. Eu fico tão admirada como essas coisas simples viram uma aventura aflitiva na minha vida. O desespero apareceu quando já no próximo balcão, o do estacionamento, "cade-lhe o ticket"? Não tá na bolsa. Só pode ser revolução da minha quinquilharia! Olhei pro manobrista e disse:"perdi"! Ele teve coragem de sugerir pra eu olhar de novo, na bolsa. Ai, DEOS! Quem me conhece sabe da minha vocação pra esses detalhes simples do cotidiano virarem um mega-evento.É nessa hora que mesmo sem razão acho alguma em algum lugar, pode até ser na bolsa, e começo a disparar. Lógico que não vou virar refém de estacionamento ou do prédio por causa de cartão e ticket que nem meus são, na verdade. Chama o responsável. Perdi, pronto! E eu jurava que estavam na bolsa. Daí é aquele vuco-vuco, manobrista pra lá, segurança do prédio me caçando no estacionamento achando que eu tivesse fugido da promessa de voltar, com o cartão de identificação. O mundo para! Todo mundo envolvido com os problemas da minha bolsa. Daí o sujeito da manobra lança a sentença, a senhora paga "x", que é a quantia normal e já absurda acrescida do ápice absurdo de um valor pra estacionar o carro. Eu quero ser dona de estacionamento. E eu pergunto pro homem da manobra: bateu a cabeça amigo? O carro é meu, já pago montes por ele, estou aqui, vim buscar MEU carro, não vou mais ocupar o SEU espaço...eu pago o que deveria por essas horas e vou embora. Assino! Quer que assine que tirei o carro sem o ticket? Assino! pagar taxa máxima, nem com decreto e nem tem mais dinheiro na minha bolsa, isso não preciso procurar pra saber. Com certa antipatia e meia hora depois, eles tiveram que ceder.Liberaram o carro, sem ticket e sem taxa extra. Mas o segurança ainda me aguardava. O cartão de identificação teria que aparecer. E agora? "Cade-lhe"? Olha a bolsa de novo...tende piedade...nunca ninguém perdeu isso? Quero ir embora.Consegui! Uma burocracia. Registra no sistema a perda do cartão.Fui libertada. No carro, já dirigindo, enfio a mão na bolsa sem nem precisar olhar pra ela. Procuro meu isqueiro, depois de tudo isso mereço um crivo. Achei fácil. Mas, percebi ao tatear atrás do acendedor, que não havia pego o pendrive por engano pra acender o cigarro, como sempre acontece! Esqueci o pendrive com minhas 1000 músicas? Ou será que está na bolsa? Verei mais tarde!
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Tudo bem? Nem eu!
Faz um tempinho que não escrevo por aqui. Preciso de motivos intensos pra blogar. Intensos não são suficientes, devem ser ou parecer,intensamente coletivos. Não uso o blog de um modo tão pessoal-individual e desconfio que de tanta gente usar, de uma forma que considero, esquisitamente pessoal seus blogs pessoais, surgiu o tal do Twiter. Foi uma demanda do cyber mercado que essa gente da net, sempre muito ligada, percebeu a latente vontade popular de contar que fez xixi e comeu feijão! A gente ligada inventou o Twiter. Não tenho um e acho que será uma das coisas que não irei aderir na net, mas já acompanho alguns, porque tem quem saiba ser sensacional contando trivialidades que não me interessam. Meu texto de hoje, igual a todos os que digitei aqui, trata da minha vivência, mas com o filtro do coletivo. O filtro é simples, é a tal da coisa, todo mundo passa por isso. E, o que se passou foi um dia daqueles que você rebola na cama, porque quer ficar ali e nem posição consegue achar. Dia desanimado, sem muita vontade pro movimento, seja qual for o movimento, inclusive o de achar posição na cama. Vontade só se for pra visitar um mosteiro.Dia do não falem comigo, não me olhem, eu sou apenas um holograma. Dia que você não quer encontrar com ninguém, nem com o Raji desnudo, piscando pra você e sacudindo a cabeça como uma Naja.Nenhuma das cabeças de Raji me animariam. Sim, sim isso prova minha ausência de libido, de energia.Falta força até pro mal humor, é um vazio e como o vazio é sempre muito complexo, isso também é complexo e inexplicável. Não há motivos externos, graças a DEOS! Nem há motivos. Eles estão absolutamente vazios e continuam complexos. Apesar disso a vida segue e como disse Cazuza, o tempo não para, num dia em que esse "para" ainda tinha acento. Levei a doce e bela filha na escola, fui ao supermercado (esse é o jeito estranhamente pessoal que comentei no início) e fiz tudo torcendo pra não ser encontrada e absolutamente certa que eu não encontraria ninguém, porque não olharia para o lado e se enxergasse, bem na minha frente, desviaria o olhar. Minha cara é a de quem não acordou, porque não dormiu. Óculos escuros. Eis a senha! Eis a mensagem que revelo aqui, mesmo preferindo acreditar que ela é óbvia. O óbvio deve ser explicado e deve mesmo! Quando encontramos alguém de óculos escuros, dentro de recintos fechados, há apenas duas alternativas e ambas solicitam uma mesma reação de você. Alternativa um: a pessoa chorou e/ou não dormiu e/ou não quer enxergar e nem ser enxergada, porque não dormiu ou porque chorou e nisso tudo você está incluido. Você por acaso não é o Raji, né? Alternativa dois: a pessoa está com conjutivite. Em ambos os casos a mensagem é a mesma e a reação esperada também: não se aproxime,não avance.Tudo pode ser contagioso. Evidentemente, que me encontraram. Evidentemente, a pessoa nem sequer reparou meus óculos escuros. Saltou entre as batatas e me agarrou. Feeeeee! Que saaauuuuudaaaaadeeeeeee!!! Como tu tá? Não estou! Pensei. Mas era ao vivo, não foi o celular, nem o msn, nem o e-mail, nem o orkut...não tinha nada me protegendo, estavamos ao vivo entre batatas no supermercado. Pensei em jogar algumas nela. Pensei em "mimicar"mostrando que estava sem voz. Pensei em sair correndo. Porém, tive que responder o invariável e tantas vezes pouco verdadeiro, "Tudo bem"! Tentei a estratégia de responder apenas o que ela me perguntava. Pra quem me conhece sabe que isso é praticamente impossible! Essa atitude somada ao meus óculos escuros, saia à francesa, nem me dê tchau! Apesar das evidências a pessoa dançava animadamente a Tarantella diante de mim. É assim que eu a via.Dançando Tarantella no balcão das batatas. Por um brevissimo instante questionei internamente, quantas vezes fui assim, tão odiosamente inconveniente. Hoje fui gélida e antipática. Ela certamente sairá por aí divulgando que estou numa pior e o que é pior, é a certeza de que ela não precisava ter saído com essa impressão, não precisava ter sentido o meu vazio se tivesse recolhido o seu calor humano. Terrivel, né? Dispensar calor humano de gente saudosa! Terrível mesmo! Mas,aprenda, se é que ainda não sabe, não use garfo quando o dia é de sopa. Todo mundo e o mundo inteiro tem dias de sopa, rala e insossa. Parece-me tão perceptível, tão cheio de sinais e tão possível de respeitar. Por que insistir na cordialidade social, quando o outro alguém não está a fim? Seu oi, piora significativamente esses momentos, porque exige de mim o que não tenho pra lhe dar. Está vazio, lembra? Então,não encha! Amanhã será outro dia e se você não estiver de óculos escuros em recintos fechados, talvez eu queira lhe abraçar, lhe beijar, viver de rir, receber o seu oi, o seu afago, talvez tenha montes deles pra lhe dar também, mas sua disponibilidade regula minha liberdade em lhe ter pra mim. Seu olhar me diz tudo. Osvaldo Montenegro, tem uma música que não lembro qual é e não consultarei o oráculo, para parecer que sei...mas lembro da frase de efeito, real e cabível pra tantas das variações humanas "pra sempre não é todo dia". Serei sua amiga pra sempre, mas pra sempre não inclui esse dia.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Revolta da Fauna
Revolta da Fauna
A vaca tá louca, os porcos e as galinhas estão gripados, os mosquitos estão dengosos, alguns amarelados e diante disso, a humanidade está apavorada. Inclusive "O Brama" Obama, que já falou em Pandemia e EU! Tá pouco ou quer mais? Imagino o estado emocional de um hipocondríaco, nesse momento.Imagino um hipocondriaco mexicano. Eu que não gosto nem de pensar ou falar em resfriados, estou pensando seriamente em fazer um estoque de máscaras cirurgicas. Estoque de repelente eu já fiz, durante o verão que passou.Vacina? Também já tomei. Vacinei todos os da minha casa e isso no primeiro sinal de que o "mosquito estava ficando amarelo" a milhas e milhas daqui. Não há no mundo, quem me convença que um mosquito distante hoje, não possa estar ao meu lado amanhã. É simples! Ele vem num avião, num carro, não precisa passagem, passaporte, grana pra gasolina e nem de espaço. Lá vem ele, no porta-luvas.Mosquito é desapegado, anda pra lá e pra cá, sem remorso, sem um amor em cada porto e sem exigir o menor conforto em seus translados. O bicho gosta de andar solto! Pra eu fazer a vacina foi preciso inventar uma viagem pra área de risco. Inventei sem sinais de constragimento. E por manter essas atitudes de precaução e prevenção,sem constragimentos, acreditei que estivesse benzida e livre dessas mazelas.Não esperava a porca gripada. Revolta da fauna.Isso já aconteceu antes.Epidemias. E foi antes de um alguém concluir em priscas eras que...o mundo dá voltas...Claro que dá! Logo, logo nossa única alternativa será a dieta vegetariana. A mesma dieta dos nossos primeiros antepassados, como na ciranda inicial do Universo. MacDonalds vai falir! Cada ser vivo carrega em si, além de tudo o que sabemos e além do que está obscuro e indecifrável e portanto nunca saberemos, mais um monte de vidas. Pequenas vidas.Uma fauna particular chamada de microbiota natural. Essa mistura toda de parasitas, bactérias e vírus dá certo, quando cada um vive com o seu cada qual. E se transforma numa confusão, com dimensões catastróficas, quando os bichos de um se misturam com os bichos dos outros e tentam colonizar espaços que jamais poderão ser seu, por natureza! Um colapso, nojento. A vaca ficou louca, por causa de uma proteína (pion) que existe no tecido do seu cérebro. Enquanto ela, a proteína, está ali apenas cumprindo a função que DEOS...ou quem você preferir...tenha lhe dado,que deve ser a vaca pastar e dar leite, tá tudo certo. Mas, quando os seres humanos...e daí, não há escolhas, são os humanos mesmo... tomam posse dessa proteína, escondida nos restos da vaca e a misturam com mais um monte de restos pra transformar em ração, o que ocorre? A vaca passa a "ser" um "ser canibal" sem nem sequer "ser" consultada sobre o assunto.Sem chances de perguntar o "ser ou não ser" da questão, ela come ela mesma, em forma de ração. Come a sua proteína e fica louca, porque seu cérebro vira uma esponja.Talvez fique louca de culpa por ter comido sua semelhante. Talvez a pion, a proteína do tecido cerebral da vaca, colabore para outros comandos além de fazê-la pastar e dar o leite. Talvez a vaca tenha seus sentimentos. Aquele olhar, tem algo naquele olhar, né?! Olhar de vaca é cheio de ternura. Acho que se eu olhasse a vaquinha nos olhos diariamente, nunca mais comeria bife. E é mais ou menos assim, como nessa minha explicação reducionista e tosca, que acontece com os demais animais. A gente muda a comida do porco e a da galinha, pra eles engordarem mais rápido. Depois comemos o porco e o porco que ainda não comemos, come a sobra do porco que comemos misturado com a sobra da galinha mais a sobra da vaca.A galinha come o cocô do porco e o cocô da vaca.A vaca também come alguns cocôs no pasto. Alguns humanos comem e fumam todos esses cocôs misturados. Os cocôs são cheios de vidas! Todo mundo come tudo no mundo, inclusive aquilo que não enxerga. Uma suruba alimentar! O ecossistema de cabeça pra baixo e cheio de intervenções.Uma cadeia alimentar repleta de nós e dando sinais de que está cada vez mais cheia de "nós", os humanos! Nesse ambiente promissor para os vírus, eles crescem permanecendo mínimos, mas cada vez mais, mutantes e malignos.Ser mínimo é uma vantagem potencial pra eles.Não os enxergamos, eles são invisíveis e silenciosos, fora do nosso alcance. Há quem diga que vivemos num toxoplasma.Um invisível toxoplasma. Ouvi dizer que a pomba, é um dos raros seres que não têm função nenhuma no ecossistema, além de representar a paz, o espirito santo e servir de oferenda.Num primeiro momento penso, sem pensar: matem todos os porcos, mesmo os que não espirram. Matem também as pombas, mas salvem as Giras. Comecem pelos porcos mexicanos, logo depois os americanos. Chamem o Kiss, essa banda que dava nitroglicerina pra porco e pra pinto, durante seus shows...eles poderiam ajudar no extermínio. Depois de tudo morto, matem o Kiss! Pronto. Tudo resolvido. Daí eu suspiro, daquele jeito profundo. E penso, pensando de verdade...deixem todos em seus lugares. Cada ser em seu lugar, com suas vidas e micro-vidas.Somos devastadores de limites. Aceleramos processos, sempre. Os nossos processos, os dos porcos, os das vacas, os das galinhas e os dos vírus...É o nosso jeito de olhar pro horizonte, a nossa vontade de ir além, porém "desse" ponto de vista, o horizonte fica finito e a luz no fim do tunel, certamente será o trem. A gripe dos porcos é mais uma "influenza" dos homens nquilo que não lhe pertence...agora temos um vírus no ar, mas que como todos os outros nasceu na carne, ou da carne, ou próximo a carne, ou por algum motivo carnal qualquer...sei lá, mas a gente tem algo a ver com essa história.
domingo, 19 de abril de 2009
Cyberbulling, tão na moda quanto ser magro!
Art. 70. É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente. (Estatuto da Criança e do Adolescente - LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990.)
Fico observando e como é do meu perfil fico toda agoniada, falando e xingando as paredes. Adianta nada, essa minha postura, mas a ela somo outras, que talvez tenham algum efeito. Fiquei sabendo há pouco sobre um caso de Cyberbullyng com a filha de uma amiga. Uma menina de nove anos e acima do peso. A menina além de ouvir diariamente e presencialmente os montes de apelidos, pelos quais a chamam na escola, agora também tem uma comunidade no Orkut, pra ler os xingamentos dos coleguinhas e as opiniões desses, acerca da sua silhueta.Pra quem não sabe, Bullyng é o termo inglês, pra violência. Na minha opinião o termo que mais combina é tortura, porque refere-se a uma violência constante, repetitiva e discreta. Com mira certeira. É pra ser ouvida e sentida só pelo alvo. Bullies são os que fazem essa tortura. Acontece em todas as idades, mas na infância e na adolescência acontecem mais, mostram as estatísticas. Talvez os Bullies adultos sejam os psicopatas e não entrem nessa estatistica, sei lá! Minha amiga é do tipo muito equilibrada. Age sempre com a razão. Tranquila( agora sem trema). A filha dela é que não deve estar tranquila.Um dos motivos de sua intranquilidade é óbvio, os colegas a chamando de gorda, o outro, a própria tranquilidade da mãe. Falsa tranquilidade, claro. Porque minha amiga chora e nem dorme direito. Mas, não mostra isso pra sua filha. Acha que assim vai melhorar a cabeça da guria. Bem, capaz! Ela precisa é ver que a mãe está tão sofrida quanto ela e que há SIM motivo pra sofrer com isso tudo! Já disse isso a minha amiga. E deixo essa postagem aqui especialmente pra ela, que vai me ler chorando! Porque quero me meter sim e ela me autorizou quando me telefonou pra ouvir sobre como agem as pedagogas nessa situação. Dei a real! Não agem! Sabem quem é "o" ou "a" "vermezinho" que é "o" ou "a" Bullie, mas não podem dar uma "prensa" na criança, nem se escondidinhas sem muito alarde. Sim! Sem alarde, o Bullie entenderia muito bem a mensagem. Apesar de adultas, as pedagogas, têm que se apresentar como mais inocentes e desentendidas do que as próprias crianças. Criem corvos e eles lhe comerão os olhos... um dito espanhol, eu acho. Enxergo a cena que me tonteia, a orientadora entrando na sala de aula, sem a presença da menina em questão, pra dialogar...dialogar... com os demais. A turma está junta já faz pelo menos uns três anos e a orientadora, ainda não arriscaria saber quem tem o perfil pra fazer isso entre aquelas crianças? Ah, me poupe! Mas, vamos manter a hipocriasia porque que ela garante nosso emprego e tapeia meio mundo, com nuances de ética, ponderação e refinamento. As favas! Criança é cruel sim! Algumas são mais cruéis do que deveriam ser, porque estão doentes e o devir é de ficar pior se não tiverem o corretivo agora. E corretivo não é diálogo, até porque crianças nessa idade estão começando a dialogar e algumas nem isso. Diálogo é um termo usado de modo tão reducionista em educação. Quem de nós dialóga? Sempre dialóga? Raras as vezes. Tô louca? Então leiam Habermas e Piaget da fonte, da fonte!!!...e sem recortes. Criança também aprende pelo medo! Criança observa muito e, muito mais que adultos. A cabecinha e os olhinhos delas têm mais tempo pra isso e tudo o que não mais, nos parece interessante, é muito interessante para elas! A questão é a seguinte: bullyng acontece há séculos no espaço escolar, na cara das professoras, das pedagogas, das orientadoras e não vi até hoje nenhuma atitude escolar que tenha conseguido frear isso.Tanto que continua acontecendo, inclusive com aprimoramento de métodos e recursos, mas sem aliviar em nada o conteúdo! E do jeito que vai, nunca verei! As tais medidas sócio educativas servem pra adequações, simples adequações de crianças, mas não pra Bullyng! Dêem a César o que é de César! Tô vendo o "Bulliezinho" rindo por dentro da cara da orientadora e acreditando cada vez mais em seus super poderes de fazer o que não deve sempre sem ser visto. Será que ela não sabe que só fortalece justamente, o que não é pra ser fortalecido, com essa sua mania de ouvir todas as partes? Inclusive as partes que estão ali pensando, eu não tenho naaaadaaa a ver com isso.Eu não tenho naaadaaa pra dizer. E ainda assim,metidos no mesmo caldeirão.Isso que é lição de igualdade! É ou não é pra desandar toda a merengada? Bem que o tal Bullezinho, nessas horas sentadinho e balançando a cadeira, podia fazer uma comu no Orkut pra orientadora. Ainda é pequeno pra isso, deixa ficar maior! Daí, deixam de enfrentar só os coleguinhas e encaram os maiores, também. Sem medo nem piedade! Pior! Tem orientadora que nem sabe como fazer página no Orkut...nunca entrou no Orkut, nem tem "essas coisas"fala da maior comunidade virtual do mundo como sendo...essa coisa! Essa coisa é ela! Tomate crú!!! Tá achando que Orkut é passageiro, filha? É moda! Essa coisa de internet e Cyberbullyng vai passar? Tudo vai voltar como era antes! E a "coisa" empregada e eu desempregada. A menina está sofrendo. Deve chorar mais do que chora diante dos outros, porque já está na dúvida se eles estão certos e ela que está toda equivocada, além de gorda é fiasquenta! Como mãe, eu instruiria a minha filha a dar uma resposta na altura, iria com ela à escola, olharia para os que fazem isso e lançaria, a ela, o apelido que desmorona cada um. Como mãe, também levaria ela para a nutricionista e enfrentaria já, agora, o que ela fará daqui há algum tempo, dieta. Mas, dieta feliz, acreditando no que fará logo mais que emagecer. Porque vingança é um prato que se come frio filha. Cantaria e dançaria com ela todos os dias "Baba Baby" e pra coroar minhas medidas educativas, faria uma página de Orkut em resposta. E se por acaso você aí estiver lendo, assustada, pensando...óh, ela está se nivelando com as crianças...tente agora mesmo fazer isso, sentir a dor emocional que sentia quando era criança e da sua vontade em ter a força de um adulto acreditando e lutando com você.Sobre o gosto musical? Ah, ela tem ouvido coisas bem piores na escola. E Kelly Kee é um exemplo nacional, canta musiquinhas pop baladas e nunca precisou apelar pra cara de virgem da Sandy, que eu também gosto muito! Ensine sua filha a ser educada, principalmente com aqueles que são com ela e ensine também a sua filha a andar com as armas da humanidade, porque se pra ser respeitada é preciso pedir licença com os cotovelos,que peça! Assim ajudamos a ela e também ao vermezinho, que se crescer desse jeito ainda vai incomodar muita gente até que apareça alguém pra lhe dar o corretivo...e será tarde demais!
Segue dois casos extremos do tarde demais! Samuel Jeremy Ah! E quanto a ela, claro que vai emagrecer,sim! Vai fazer dieta sempre, vai ficar verde comendo alface, vai tomar laxante...com ou sem um Bullie pra lhe encher o saco...porque os mais cheinhos a sociedade inteira se encarrega de torturar ele é apenas um verme, nessa questão mesmo! Mas, o assunto é sério amiga! Os que são altos sofrem, os que são baixos também, os que usam óculos e os que usam aparelho, os que têm o pé grande todos podem sofrer com essa tortura que é uma tendência e um caso de alerta educacional. A novela das oito está tratando do assunto,por isso é bem provável que o mundo se atente a ele...infelizmente, a novela da vida real, dos personagens acima, não tem o mesmo IBOPE que as da Globo. E enfim e mesmo assim, não deixa barato...mostra que a gordinha linda de viver, tem um exército por ela...Deixa ela vir até aqui pra fazermos a comunidade de Orkut...eu adoraria e palavra de pedagoga progressista e revoltada,que sou, vai fazer um super bem a ela!Essa menina precisa exercitar sua crueldade... Malévoloas e Cruelas também fazem parte do faz-de-conta...e cá pra nós, às vezes parecem mais adequadas do que qualquer princesinha pálida de bochecha rosada! "É nóis"!sábado, 11 de abril de 2009
Corpo Humano Real (Recriado) e Fascinante!
Fui à exposição "Corpo Humano Real e Fascinante", no Barra Shopping Sul. Como companheiras do programa "macabro cultural" minha filha de 5 anos, minha sobrinha de 8 anos e minha cunhada que não interessa a idade. Nunca tive nenhum gosto pelo assunto "anatomia" quando esse é tratado de modo exclusivamente científico. Ainda assim, como boa parte dos visitantes, estive motivada a conferir a exposição desde que foi anunciada. Mais por uma curiosidade mórbida do que pelo gosto científico. E também por já ter ouvido falar na exposição, bem antes dela se anunciar no Brasil e todo o "borborinho" acerca do tema. Recebi um e-mail, certa vez, que falava sobre o alemão Gunther Von Hagens(visite site oficial), conhecido por Doutor Morte. Não é ele o mentor da exposição Corpo Humano Real e Fascinante, mas foi ele o criador da técnica de polimerização dos corpos e o precursor na idéia de colocá-los em exposição. Começa aí o despertar da minha curiosidade. Doutor Morte quando apresentou a idéia de dissecar corpos humanos para expor, ressaltou sua intencionalidade artística. Tratou o assunto como arte.Entendeu os corpos como matéria prima e transformou os cadáveres em manequins.Ressaltou a estética da beleza dilacerada. Transbordou de motivos para que a genialidade inovadora do médico fosse amplamente criticada. Aquilo que ele entendeu como arte, a Igreja entendeu como banalização do corpo morto. Certamente sabendo de toda essa repercussão e reconhecendo a genialidade de seu colega, o Doutor Roy Glover,americano e responsável pela exposição que visitei, usou a técnica do Dr. Morte e basicamente a mesma forma de apresentar os cadáveres em exposição. A diferença entre eles? Roy Glover reverenciou o conhecimento científico. Não lembrou da estética, ficou com a ética. Falou como médico.Pronto! Seus corpos mortos e dilaceradamente esculpidos pela arte médica são os protagonistas de onze exposições que acontecem concomitantemente em diferentes lugares do mundo.Inclusive aqui, em Portinho!
O corpo humano é pra sempre fascinante, mesmo quando morto, aos pedaços e desprovido de suas funções.Particularmente, ainda prefiro inteirinho e bem vestidinho. Algumas vezes peladinho, mas daí sim, completamente inteirinho. Enxerguei mais arte que ciência naquilo tudo.Impressionante o corte, a extração de sistemas inteiros para o isolamento e visibilidade de um único sistema. Uma recriação só possível pela mente de um artista mais a habilidade do médico cientista. Minha filha e minha sobrinha reagiram muito bem diante de tudo. Logicamente não fizeram relações nem tranferência alguma. Os corpos são os corpos da exposição,diferentes dos corpos delas que vivem intensamente.Não se enxergavam ali.Não se identificaram. Minha pequena deixou isso bem claro quando fui aproveitar a visibilidade do intestino e explicar porque ela não pode trancar o tal do cocô...mãe, aquele é de gigante não cabe em mim!Tá bem! Lógico que a anatomia não é o melhor caminho para superar a peculiaridade da minha filha. E de certa forma ambas estão certas nisso. Somos todos iguais e tão diferentes. Pessoas disseram que não era pra idade delas e que ficariam assustadas. Minha cunhada, como eu, em se tratando da educação da filha, ouve mais a si mesma do que o que dizem por aí. Levamos as filhas. Acredito, colaboramos delicadamente para esse novo sujeito que surge. Que estejam eles menos poluídos pelos tabus que faz do entendimento ocidental, sobre a morte, algo tão assombroso.
Uma coisa, especialmente, chamou a atenção em todos os corpos. A fisionomia. Parece estranho mas ela estava presente em todos eles. Por mais que tivessem tirado, deslocado, poliamirizado tudo nos sujeitos, ainda havia algo de pessoal em cada um e uma sútil semelhança entre eles. Comentei isso com minha cunhada. A semelhança! Ela riu. Cheguei em casa e fui pesquisar. Eu e as questões da identidade. Queria saber se descobria quem eram elas, as esculturas cadáveres. De fato, são mesmo parecidos como avaliei. São da República da China. Há quem diga que foram prisioneiros criminosos. Há quem diga que são pessoas que doaram seus corpos para o projeto. Sinceramente, o primeiro dito, soa mais verdadeiro. Ainda mais se tratando da China. Somente pela recriação artística um chinês fica de olho azul e arregalado.Destoante da escultura aquele olhar de vidro!
Fica o registro blogado. Vale conferir pela possibilidade de olhar-se por dentro, de um modo que somente os médicos puderam até agora. Vale a didática da apresentação, tudo em blocos separados, minimizando a complexidade do sistema que de fato é o corpo inteiro.Vimos algumas vezes em alguns vidros de museu de ciências e muitas vezes em cera, plástico ou gesso. O real e poliamirizado é diferente, tem cor, tem brilho e não tem cheiro. Vai lá, mesmo que seja pra concluir o mesmo que eu e minha cunhada: não veremos a segunda vez. As meninas? Podem levar as suas ou os seus. Elas já estavam correndo na frente, ambas a fim de um delicioso sorvete...nada nos humanos polirimizados, nem no clima sinistro da exposição, conseguiu despertar um "nojinho repulsivo" como lembro, acontecia com as crias do tempo em que eu também era cria. Viva os sentidos bem vivos, que saboreiam, que cheiram, que enxergam, que sentem, que ouvem e que imaginam o inimaginável. Crianças fazem isso o tempo todo, imaginar o inimaginável e alguns adultos, meio geniais, fazem às vezes e, quando os demais adultos permitem, mostram em suas exposições e quase não percebe-se que estão limitados por "éticas e estéticas".
As fotos não são minhas, é proibido fotografar a exposição. Mas, os jornalistas puderam, então capturei algumas de outros blogs, mas não há créditos em nenhuma delas. E se você, como eu, ficou se perguntando um monte de coisas sobre o que viu, clica nesse link deve ter algumas das respostas.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
A epistemologia superada num flash...
"Gentem"! Não existe lugar de produção, melhor nessa vida, do que aquele ocupado pelo estudante. Exatamente onde estou. Sou uma entusiasmada aprendente, revelando caminhos de uns saberes diferentes. Vejo de tudo o que eu nunca tinha visto antes. E, é nesse lugar da estudante, mas não como a estudante, que observo os adolês, os meus colegas. Facilmente me vinculei a eles e eles a mim, porque talvez, a adolescência ainda me parece encantadora e bem enfeitada por todos os seus nós. E claro - pra não escancarar um principalmente -porque não desatei muitos dos meus e isso me dá alguma vantagem na identificação. Frequento uma sala de aula, num curso sobre Flash. Entre os participantes, vários e vários adolês. São eles os melhores da turma.Disparado. Sabem muito da realidade virtual. Dominam outra linguagem. Realizam ações complexas a partir de códigos. Usam termos que parecem gírias para um leigo, mas não são.São técnicos. E transitam como autores e como decodificadores de scripts com sintaxe inenarrável e de surpreendente complexidade. São capazes de encontrar soluções, num curto espaço de tempo. Compartilham idéias com grupos formados por milhares de componentes. São solidários em suas descobertas e repassam, emprestam, doam, sem o menor egocentrismo intelectual. Pergunto tudo o que posso e o que não devia pra eles e aguento firme quando riem. E eles riem! O riso é o anuncio, de um pro outro e do outro pro um, que eu não sei o que eles sabem. Não sei e nem sei se saberei. Até aqui, tudo bem. Geração digital e eu sujeito de formação ministrada por uma geração analógica. No limiar, eu diria, do grande evento da informação. Dentre as minhas perguntas, quis saber como aprenderam. Respostas unânimes...na escola World Wide Web e como companhia la solitude. UAU! Intencionalidade de aprender? Eles têm. Potencial cognitivo? AFF. Criativo? Nooossaaaaaa. Habilidades diferenciadas? Também! Mas, não sabem do que são capazes. Hilário, né?Os que poderiam acompanhar e despertar a descoberta, não sabem do que eles sabem e nem que eles sabem, o quanto sabem. Fica dificil a interlocução. Têm saberes mas não deu pra desenvolver a ética desses saberes, com a mesma rapidez. O pensamento formal é assumido. Piaget afirmava que boa parte da população, em suas pesquisas, não acomoda no pensamento formal, nem quando adultos bem vividos. A geração digital se apropria do abstrato e se diverte com ele. Essa mesma geração, viva e plena de adolescências, cria e recria uma realidade paralela. Faz tudo isso e mais um pouco que eu não tenho alcance pra explicar e bem antes da idade cronológica prevista em pesquisas de epistemologia genética. Na mesma velocidade alcança, aquilo que há pouco parecia inatingível, as dimensões do abstrato... e elas são mais de três... Hora da nova epistemologia. Outros são os perfis dos aprendentes, tanto no quesito inteligência, quanto no afetividade. E isso, tá na cara. Mas, nas salas de aulas convencionais ( e todas são convencionais, inclusive as mais progressistas) em meio aos cadernos, apagadores, pó-de-giz, classes e a tralheira ad infinitum...não dá pra ver. Aff! Que confusão! Paulo Freire diria novamente...O que fazer? Ele saberia. Eu não sei. Mas, sei que o desenvolvimento moral, não tá acompanhando o intelectivo. A nova ordem foi estabelecida e desconfio que faz algum tempo. Pra agravar, a realidade paralela, disponibiliza os disparadores pra que uma pseudo moralidade apareça às avessas.Misturando isso com o idealismo adolê...ARE BABA...Crackeando, hackeando...mais um serial... infinitos e até divergentes profiles. Éééé'... eles têm muitos poderes nas mãos. O que fariam, com o que sabem, se soubessem como e pra que fazer? Não há um código de ética estabelecido para esse homo sapiens demens . Todos os rumos à disposição e ainda assim, sem rumo algum. Eis o caos. Eis o aprendente da escola formal. Não tentem nada contra eles. Não há sanção, nem punição, nem raios de corretivos que os impessam de seguir adiante. Quer saber? Ainda bem!!!Existe um vírus ultra contagiante nesse meio. Vírus mutável com fácil poder de transformação. Escorregadio e sempre disfarçado. Mask com e sem nuances do gradiente. Avatares... E enquanto isso...num ambiente surreal, chamado escola, a preocupação é que eles não copiem e colem do Google as pesquisas sobre o século XVII...é pra chorar?...de tanto rir!
Só pra constar...me matriculei numa escola de hacker virtual (fica a dica, que recebi)...estou aguardando a aceitação... não vou ser excluída do grupo da minha filha...que com pouca idade e sem dominar o código escrito, já salva os arquivos dos jogos da Barbie no seu computador, eu ao lado, só babando colorido...imagina o ela que fará a seguir...tenho que estar preparada!Caso contrário, serei dominada e esse não é o meu lugar...então, prossigo no lugar da aprendente.
quinta-feira, 19 de março de 2009
O perigo mora ao lado!
Todos ouviram, leram, ficaram tristes, espantados e irados ao saber do caso da gravidez da menina de nove anos de idade. Gravidez consequente de muitos estupros cometidos pelo mesmo canalha: o padrasto. Por ironia, gravidez que veio para salvá-la da história de martirios, que viveu desde os seis anos de idade. Estando grávida, o que esteve oculto apareceu. Aquilo que talvez nunca se autorizasse a contar por medo, vergonha e pavor, veio à tona. Essa pequena grávida que como tantas outras mulheres da classe popular, quando grávidas, e somente quando grávidas, foi cuidada. E pensar que algumas, nem assim. A menina da história, conseguiu que nove anos depois, olhassem pra ela! O mundo descobriu sua existência sofrida. Esse é o mistério da vida. A gravidez veio como um grito, em dueto. Mas, seria breve, não duraria nove meses, isso é tempo demais para o frágil corpo de nove anos. Tempo demais para suportar três vidas, a dela e as dos gêmeos. E, seria nada, em termos de tempo, se fosse apenas para as vivências da infância. Prenhez que veio somente para libertar o grito. Ao mesmo tempo a salvação e a condenação, um anúncio do limite que foi ultrapassado e que nunca poderia ter sido. Estava posto. Interromper a gestação para salvar a vida da menina que agora, todos sabendo de sua história, talvez tenha a chance de experimentar um pouco da infância em uma nova vida. Na vida velha, ela não conheceu. Ela nascerá de novo? Até este ponto, a história teve uma vítima, um único vilão e um monte de gente descuidada.Nenhum deles ocupando o papel secundário. De repente, e sem imaginar que mais atônitos poderíamos ficar diante do caso, aparece o José Cardoso Sobrinho, representando a Santa Igreja Católica. Como pode a Santa Igreja Católica e seus "Dons" terem o "dom" de redirecionar os holofotes para si em momentos de caos absoluto? E isso, acontece enquanto o mundo desaba com mais outra desilusão, provocada pela decadência doentia do humano. A pedofilia existe! Ela pode ser ainda pior, mais assustadora e sinistra, quando aqueles que deveriam desempenhar a função cuidadora e apresentar a censura que protege, são eles, o próprio perigo. É nesse momento, em meio a dor coletiva, em meio aos pensamentos sobre pra onde caminha a humanidade e sobre o que nós, seres menos piores, faremos pra evitar que o caos se estabeleça de vez, que surge o pronunciamento do José e foi pra nos falar de excomunhão! José aparece na televisão, com cara suspeita, um riso lateral que não deveria estar ali, nem ele deveria estar ali, excomungando os médicos que salvaram a menina. Muito provavelmente, ninguém com lucidez suficiente, ainda que crente em Deus, estaria preocupado com a excomunhão feita pelo Zé. Ela não existe nem nunca existiu. Ela é coisa da Igreja, só cabe a ela, não é caso de opinião pública, não é pra nós. Nunca foi pronunciada por Deus. Deixa pro clero, isso não nos pertence. Nem queremos. Mas, José, não quis fazer pouco estardalhasso e foi bem além dos limites que separam as idéias da Igreja de nossas vidas progressistas e também foi além daquilo que a maior tolerância poderia suportar. José afirmou ser o estupro menos pecado do que o aborto. Que inabilidade a dele, que inabilidade a da Igreja! Mais uma vez!!! Daí, aparece mais um, também da Igreja e completa a mancada, dizendo que o caso da menina só precisava de cuidados médicos, a gravidez não precisaria ser interrompida se fosse cuidada. Não! Não, é piada! Mas, aliviem-se porque também não é verdade. Nem piada, nem verdade, é apenas e simplesmente o ridículo. Sabemos diariamente sobre os casos da saúde pública! Tantas mulheres que fizeram seus filhos por livre espontânea e prazerosa vontade, vêem interrompidas suas gestações, por falta de cuidado, por falta de vitamina, por falta de médico,por falta de leito, ou todas essas faltas e mais umas, que tornam presente em nossas rotinas, o desrespeito à vida. Não lembro do Zé ter falado sobre algum desses casos. Nem o Zé, nem outro qualquer de sua turma. Todos calados. O médico que se recusou a atender um menino de onze anos, que estava com Meningite, e por causa dela morreu, foi excomungado? Nem pelo Zé, nem pela medicina. E aquele que amputou a perna direita ao invés da esquerda?E aquele, e aquele... e aquele outro? Tantos!!! Pois é, Zé. E os padres pedófilos? Foram excomungados? Ops, pedofilia é menos que aborto. Pedofilia não tira a vida. Quem disse isso?Quem consumiu ou quem foi consumido? Excomungados só quem aborta e quem faz acontecer o aborto. Tudo isso já causa repúdio, nem precisa listar a proibição da camisinha, da pílula, do divórcio, da opção sexual, da pesquisa com as células tronco pra confirmarmos que a Santa Igreja, nada tem de progressista, nada tem para nós!Mas, por mim, tá bem! Só me incomodo é com a falsa da moralidade. Foi Drauzio Varella, sempre magnifico, que postulou o que é de quem: " enquanto a medicina busca a cura, o Clero Romano prega o sofrimento. Caminham em direções opostas". E em homenagem e respeito aos médicos de Pernambuco, declarou: 'Nossa profissão foi criada para aliviar o sofrimento humano; exatamente o que vocês fizeram dentro da lei ao interromper a prenhez gemelar numa criança franzina." "Os males que a igreja causa à sociedade em nome de Deus vão muito além da excomunhão de médicos, medida arbitrária de impacto desprezível. O verdadeiro perigo está em sua vocação secular para apoderar-se da maquinária do Estado, por meio do poder intimidatório exercido sobre nossos dirigentes". Ponto final. Disse tudo. E, em meio a tudo isso, eu permaneço aqui, lembrando da menina que não sabemos o nome. Como será que ela se sente agora? Mais segura, talvez! É provável. Que mulher está nascendo depois dessa experiência? Eu mantenho a esperança, de que ela tenha sim uma vida muito melhor, e isso me parece fácil, porque qualquer vida é melhor do que a que ela sobreviveu até agora. Mas, meu maior desejo, é que ela possa superar-se a cada dia, deixando pra trás a menina sem nome, para assumir-se como alguém que dispare, por todos os lugares, a legítima proteção à infância da menina, a infância do menino...anjos, sem sexo! Que seja ela, uma grande cuidadora dos filhos que terá por vonatade própria, um dia, e também de todos aqueles que nunca serão seus, mas estará alerta por eles, porque sabe: o perigo, mora ao lado!
Assinar:
Postagens (Atom)




