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domingo, 8 de maio de 2011

Encruzilhadas.

Ela nunca foi mansa, mesmo quando parecia estar. Algumas pessoas são assim, parecem o que não são às vezes, mascarando um pouco o seu ser. Havia uma inquietude interna que movia seus pensamentos e seus movimentos, a movia no tempo. Externalizava inquietudes em palavras e gestos frequentemente. Por mais que tentassem e com o tempo, ela própria tentava, amansá-la e amansar-se, parecia impossivel e quando muito, provisório. Fortalecida pela ideia de que não há busca somente se não há vida ou vontade por ela, prosseguia parecendo mansa, mas não era. Buscava constantemente. De tanta  vontade de vida elevou-se à inconsciência. Foi  inconsciente que encontrou! Oculto. Nada se revela, mesmo que queira se revelar,  tão facilmente pra ela, que de tão inquieta vasculha toda a possibilidade de ângulos e lapidações no que encontra. Busca querer ver mais. Distrai sua visão observando almas fractais. Pouco via dali, sabia algumas coisas e deduzia outras. Coisas bem óbvias entre algumas nem tanto. Estavam explicitas e anunciadas as vontades e essas não eram surpreendentes. Surpreendente era assumi-las desgovernadamente.Surpreendente era distrair-se com o óbvio. Distraida e incosciente, como se estivesse por muito tempo exposta ao sol. Aquecida e latente, como se fosse terra no ponto de acolher semente. Estava menos mansa pra si mesma, apesar do contexto se configurando confortável e convidativo pra relaxar. Parecia fluir fácil nele,  como se conhecesse o caminho e esse fosse ininterrupto. Distraida, inconsciente, aquecida, latente nem sabe como está ali, nem onde exatamente está, naquilo que percorre; se serão retas ou curvas, se sobem ou se descem e nem os tamanhos exatos e as envergaduras do trajeto adiante. Eis o que se instala animando as inquietudes da alma nada mansa, a impossibilidade absoluta de unidimensionalizar a sensação, as vias mais óbvias de acesso estão indisponiveis, no momento.  Como a busca é incessante e os motivos não descansam, vai ela querer revelar para além dos sentidos, vias óbvias do acesso, pra chegar exatamente naquilo que ela sabe onde está, mas não como chegar.

Um comentário:

decio disse...

Bingo de tirar o fôlego
O mundo não para de girar e com isso podemos sempre contar.