Páginas

sábado, 7 de maio de 2011

Desejo Materno!

As datas determinadas para  homenagens têm um lado perverso,  o da exploração comercial, do outro lado, representam a lembrança para aquilo que não esquecemos, porém silenciamos com o apoio do alvoroço barulhento das rotinas. Silenciamos entre os ruídos. Noutras datas, enormes listas de fazeres, falta espaço na agenda para aquilo que não precisa ser lembrado, de tão óbvio que parece, mesmo assim, desaparece no espaço tempo e sem querer e sem perceber parecemos esquecidos. Em  datas especiais, somos acionados pelo calendário e não permitindo que este seja assim tão automático e que simplesmente tome posse  dos nossos ânimos e vontades, tomamos conta dele, eis que surge a reflexão, a origem de tudo.  Dia das Mães, da minha e da dos outros. Dia dedicado às dedicadas demais e às dedicadas bem menos do que elas próprias gostariam de ser, isso acham elas e acham os outros, normalmente os que nada tem a ver com o caso.  Mãe é origem e com o tempo se torna também desculpa para as nossas insuperações. Seja porque ela fez ou faz demais ou porque ela fez ou faz de menos. Alguém decretou, a culpa sempre é da mãe, quando não houver um mordomo. Esta mulher, original criadora, que de tanto amor e compromisso com o bem feito, pré requisitos determinados para o cargo, se atrapalha volta e meia e meia volta repete seus atrapalhamentos maternos conscientemente.  Há mães de todos os jeitos e hoje já são mães de todos os sexos. São mães com pais e são mães sozinhas. São mães "full time" e mães " no time". Foram naves um dia, carregando no seu aconchego interno ou  carregaram somente o desejo de ser  nave e na impossibilidade de se transformar numa, elas dão um jeito terceirizado. Os jeitos, estilos e atrapalhamentos maternos não cabem num formato único. Mães queriam sempre poder fazer mais e melhor. Algumas dedicam-se a isso mais que aos próprios filhos e contam com enorme prazer e com intenção de humilhar as outras, que não fazem por falta de tempo, por falta de vontade, por falta de saber ou ainda por achar que não cabe ser feito o tal fazer. Conversa de mãe é sempre divertida, competitiva, orgulhosa, comparativa e preocupada. Mães são sempre alvos, a familia toda  mira nelas, nos seus detalhes e palpitam fazendo relação com os comportamentos dos filhos. Todos palpitam sobre a maternidade, principlamente quando não são mães. Análises profundas, rasas, incipientes, com todo o tipo de sugestão para o manual materno. São vários! Pouco provável que alguma mãe tenha seguido um dos manuais, porque mães confiam nos instintos. Quando o holofote da sala do parto acende e ele sempre acende mesmo para as mães que nunca estiveram na sala do parto, repete-se aquele anunciamento feito por uma estrela, há muito e muito tempo: Você foi escolhida, para experimentar o mistério da vida. A maternidade é misteriosa e é magnifica. Transformadora e reveladora. O compromisso que temos com ela e toda a magnitude que representa apesar de muito explorado em prosa poética, sempre foi ofuscado em sua essência . O fio das histórias sobre mães são dedicados e mal intencionados com o encantamento que querem gerar. Falam de bule e café na mesa, de casa limpa e cama cheirosa, de noites insônes e de padecer, num paraíso. Inventam a culpa e aumentam a passividade dos filhos, diante delas!  De um jeito ou de outro encaixam outro alguém no lugar materno, e esse alguém é masculino. Foi sempre dificil demais a eles não ter esse lugar, bem mais do que foi para elas, o tal complexo da castração. Mães são tolerantes com isso e quando uma das mais destacadas da história, permitiu que sua obra a superasse, concordamos com grande satisfação em repetir seu feito. O desejo materno é ser superada pela sua criação, é que sua obra ganhe mais vida do que ela própria lhe concedeu. Queremos nossos filhos melhores que nós e confiamos nisso, porque confiamos que um desejo materno sempre é atendido, ou que de um jeito ou de outro a mãe faz ser.

2 comentários:

Thais Coutinho disse...

Excelente. Parabéns.

decio disse...

Acho que nunca vou parar de impressionar contigo.
Todo mundo vê, mas você enxerga com sentimento, alma de poeta e coração de humanista.
Sorte da Nina ter você pra lhe apresentar a vida.