Páginas

sábado, 29 de novembro de 2008

Scrap, arte com alma!

Há pouco tempo descobri o "scrap". Fiquei encantada! Encantada com as produções dessa arte e fundamentalmente, com as possibilidades de comunicar sentimentos através dela. Como tudo aquilo que chama a minha atenção, fui pesquisar. Busquei a história por de trás dessa maneira de representar a própria história. Descobri duas vertentes acerca da origem dos scraps. Uma delas, como sendo um hábito dos Mórmons de registrar viagens e comunicar às respectivas famílias cada passo dado e a outra, a minha preferida, é que essa arte surgiu na Idade Média, quando o homem era um investigador sem muitos recursos além da sua própria vontade e curiosidade. Vontade e curiosidade serão sempre elementos insubstituíveis para o progresso da humanidade. Elas revelam, movem e transformam o homem, por isso criam e re-criam o mundo.Os registros das viagens, dos estudos e das emoções nascidas em cada novidade encontrada, na Idade Média, são considerados as primeiras versões do scrap. Literalmente, scrap significa "sucata", mas é usado pelos praticantes dessa arte como sendo "retalhos" ou "pedaços" e, no meu entendimento passional, são " sobras preciosas de momentos impossíveis de narrar somente com palavras". Assim que re-significo essa sucata. Fiquei satisfeita com a minha conclusão de que Leonardo DaVinci foi um scrapper! E você deve ter ficado besta com a ousadia da minha conclusão. Mas sou assim mesmo, pessoa de lógica simplificada. Conclui também, que no meu tempo de "adolê - lepeti-petipolá" muitos cultivavam a arte do scrap, sem a menor idéia do que faziam ( os adolescentes são magníficos em fazer sem saber o que fazem, mesmo assim fazem e ainda por cima fazem bem!) Refiro-me àquelas agendas de colégio, que eram usadas pra tudo e qualquer coisa desde que não fosse de colégio, nas quais colávamos o papel do bombom que comemos quando "ele", o protagonista dos sonhos, estava na nossa frente, o bilhete de entrada do cinema, o ingresso do show, um milhão e meio e mais um pouco de adesivos e etiquetas que nas suas imagens escondiam os segredos que não contaríamos nem na tortura e sendo assim, ainda permanecem segredos. Protegiam histórias, aquelas coleções de papéis colados na agenda. Cada um com seu significado personalizado e instrasferível e como carta enigmática líamos as sobras preciosas que davam um super volume às agendas escolares. Tudo se transforma pelas re-criações, e isso não (definitivamente não) ao menos no meu ponto de vista, pode ser considerado plágio ou falta de criatividade. Prefiro entender as re-criações como uma valorização daquilo que está feito, ao ponto de dedicar um olhar tão atento e para além da admiração que é capaz de inspirar uma adição. Nunca subtrai ou apaga nada, mantém viva a essência, mas transforma a idéia, para então, em todas as criações e suas re-criações, concretizar a comunhão de gente inventiva de todos os tempos. O scrap hoje é re-criação, então ele é uma arte de adições. Eu, só descobri o scrap agora. Bisbilhotei e encontrei uma alma nesse negócio, que pra mim é, simplesmente, algo divertido de fazer. Um hobby. Sou admiradora de quem o faz. Seja sua versão artesanal, digital ou a híbrida. Sou admiradora dos criadores e da criação. Tenho visto coisas incríveis com a linguagem das imagens e descoberto gente mais incrível ainda. Pessoas que cultivam essa arte pelo puro prazer de decorar suas recordações, de enfeitar os momentos vividos com sentimentos que transcendem a possibilidade de comunicação de uma simples fotografia e de perpetuar pedaços de suas histórias, com uma beleza delicada que agrada aos olhos e que é bem capaz de estar protegendo muitos segredos. E, além disso, pessoas dispostas a compartilhar tudo o tempo todo e ainda com um muito valioso pouco de si. Grande mundo esse dos seguidores de Leonardo! E eu penso: "go Forest"... vou continuar tentando... também sou uma colecionadora de memórias, com curiosidade e muita vontade de registrar sentimentos.
Psiu: Fiz um recorte destacando, além do Leonardo, outras personalidades que colecionavam suas memórias em scraps(tem muita coisa na WEB pra quem estiver interessado em bisbilhotar a alma do negócio)
• Rainha Victoria - tinha álbum de scrapbook exposto no Palácio Real.
• Andy Warhol - pai da pop arte, começou colecionando fotos e recordações durante sua infância, elaborando 42 álbuns de scrapbook.
• Mark Twain - filósofo americano (Joana D’arc) separava os domingos para seu hobby. Teve 57 diferentes tipos de scrapbook.
• Thomas Jefferson - um dos maiores presidentes dos EUA, guardava em brochuras de couro, desenhos, notas, folhas secas e outras recordações. Seus “álbuns” são preservados em sua casa em Virginia, EUA.
Queria imagens destes álbuns!

Um comentário:

danifai disse...

Fe

conseguistes, através das tuas verdadeiras e belas palavras, me remetar a minha adolescencia, onde como escrevestes, eramos grandes scrappers e nem sabiamos. Qtos. albuns??? Quer dizer!!! Agendas... eu tive?! E em tantas fases da vida... Puxa se aquelas agendas falassem. E acho que elas falavam sim... através das imagens, colagens e doodles que nós ali colocavamos. Puxa que tempo bom!!!